terça-feira, dezembro 14, 2004

Mastodonte Cardioplegia

Recebi um pequeno aviso que seria melhor actualizar o blog... este foi-me enviado pelos Deuses e de ínicio confundido com o terpidar normal de o elevador, visto que estava na cabine do mesmo e estava a chegar ao andar de destino. Sim, falo do sismo, se assim se pode chamar. Eu hoje como dormi 12.30 horas (deitei-me era meia noite e meti o despertador para as 9... lembro-me de ter carregado nums botões para "dormir mais um quarto de hora" e de ter acordado às 12.38) andei todo acanhado como se tivesse vestido um fato pressurizado a 8 G's (até estar quieto cansava) e portanto estava inerte a qualquer interacção com o mundo exterior. Tudo estava difuso e muito distante.

O que achei curioso foi, quando voltei à rua, observar um ligeiro pânico nas ruas: "vamos morrer!!!", "Satanás está abrir rocha e vem lá do profundo Inferno!!!" não... estou a exagerar! Foi a atitude das pessoas, tirando um grupo de "gentinha" (os que desceram as escadas aos gritos e quase a chorar porque vinha lá o "armageddon") que tendia a não sair do pátio da alameda e não tirava olho do cimo dos prédios para ver se ainda abanavam ou se caíam matando todos os teimosos que lá permaneceram apesar dos seus avisos e recomendações ("é bem feita! Eu bem os avisei que isto ia tudo abaixo... eu sei muito bem como é que estas coisas funcionam! Sim, porque vivi durante muito tempo em França e eles lá é que têm muitas coisas destas. Isto de tremores de terra é coisa de país evoluído, nada que aconteça nesta pasmaceira." Já agora... a frase antes do parêntesis é do tipo "apneia"), o resto do povo tinha o seu tema de conversa todo centrado no abalo tectónico: "a minha casa foi abanada com uma força... aquilo era assim... «zum-zum» (gestos violentos como quem sacode abelhas dos braços)", "o movél da sala arredou-se um metro d'onde estava", "a minha televisão, que é dessas grandes e modernas, ia sendo cuspida contra a parede", "foi tão violento que o Algarve ia sendo engolido pelo mar e o Porto desmoronando...". Outros ainda falavam do sismo de 1755 e outros sobre o que viram num canal temático e ainda havia quem mandasse vir com que não sentiu uma "coisa daquelas". Já para não falar dos que teimavam em dizer que tinha sido o metro a passar mesmo depois de ter sido anúnciado no telejornal que tinha sido um sismo de 5,4 na escala de Ritcher.

Se ao invés de aviso, tivesse sido a ira dos Deuses que me protegem, aí sim teria sido um sismo. Um abalo de dimensões dantescas enviado pela cólera dos criadores do Universo, um grito da Terra que traria o caos ilimitado e a destruição incomensurável. Aí sim, podia-se dizer que se tinha sentido uma ligeira trepidação, mas nada que nos preocupe ao ponto de não pararmos de falar sobre o assunto.


Como foi prometido ao magnânimo e imponente Zé «Grande Mestre Feiticeiro», e também como arquivo histórico, vou relatar um pouco do Estoril Historic Festival 2004 onde vi automóveis que transformaram, naqueles dias, a minha realidade num estado de vigília inconsciente. Ir para além do breve relato iria condicionar a parca hipótese de raparigas lerem isto... que safou da!

O que importa sim, é que foi um fim de semana verdadeiramente emocionante (adorei mesmo e não me meti para ali a dizer "ai que bom, ai que agradável" só para fazer jeito), assisti a várias corridas de veículos realmente históricos e belos, os autênticos automóveis (estava lá um carocha e um Lancia igual ao meu... antes de aparecerem piadas nas vossas cabeças amofinadas pela Besta). Lá vi belas peças de arte e de mecânica como os cromos raros da Fórmula 1 (Lotus que tinha sido pilotado pelo Nigel Mansel, um McLaren pilotado pelo John Watson, um Tyrrel pelo Jackie Stewart, um Ferrari do Gilles Villeneuve, um Copersucar do Emerson Fittipaldi, de entre os que reconheço como pilotos de F1 (também estava lá um RAM de 1983 que foi pilotado pelo Jean-Louis Schlesser, mas esse conheço mais do Paris-Dakar)), Jaguar E-Type a correr e em exposição (era mesmo gracioso e elegante), um Mercedes SL300 com 50 anos em exposição (este é certamente dos carros mais belos alguma vez construídos... foram produzidos 1400 e custavam o preço de uma moradia), carradas de Minis Cooper S (os verdadeiros, com dois depósitos de gasolina e com dois carburadores especiais) quer a correr quer em exposição, Mustangs que muita gargalhada me proporcionaram quando uns 7 ou 8 foram ultrapassados no fim da recta da meta por um Mini... e dizer isto aos meus colegas que desde que viram o «dá fést ain dá furriós» são peritos em automoveis e o Mustang não há quem o "pape" (inventaram desculpas ridículas para o facto do Mini os ter ultrapassado: "o piloto do Mustang era um granda nabo..." -eram 8 Mustangs e não 1, "o Mini estava todo mexido" -os Mini só podiam levar o mesmo tipo de preparação que os Mustang, "tu viste-me o «Tu Fést Tu Furriós»?" (disseram-me isto com ar triunfante e depois começaram com umas hitórias de "nitro" escondido e recusei continuar a compartilhar o que vivi)).

Aliás... o que mais me espantou foi ao contar isto a alguns desses colegas que se dizem homens (há uma forte suspeita que a válvula unidireccional do esfíncter ou esteja estragada ou tenha sido alterada à marretada de corneta para suportar uma conexão bidereccional), estes (que é só um mas assim posso desviar a conversa se o confrontar pessoalmente) começarem a falar do Saxo Cup como se fosse «a grande máquina»... para quem viu Formula 1 com motores cujas rotações ao relanti andam entre as 4.000 e as 5.500 rpm e cujo "redline" nunca mais aparece... um Saxo? Os limites máximos de um são os limites mínimos do outro.

É que a Formula 1 na televisão é uma coisa, agora ao vivo... eu, que tinha acesso à pitlane, consegui ficar no resguardo mesmo no meio da recta da meta (onde estão uns marmanjos com as placas com o tempo dos pilotos). Senti aquelas magnificiências a deslizar tão perto de mim num estrondo de sensações. Vê-los era quase impossível para o olho humano. Até fiquei arrepiado e transtornado tão mítica era a sua passagem... o ruído ensurdecedor que me trespassava quase me arrancava a alma com a velocidade (já para não falar dos ouvidos que ficaram acampaínhados).

A delicada elegância com que estes veículos abordavam as curvas parecia a de uma bailarina francesa adolescente a dançar ao som do Lago dos Cisnes num disco de vinil de 33rpm tocado a 78rpm (45rpm não eram suficientes para demonstrar a velocidade)

Para além da Formula 1 e das várias corridas de clássicos (Ferrari 250 GTO e 275 GTB, Aston Martin Project, MGB, Corvette de '62, Lotus Elan e Elite, Shelby 350 GT, Marcos GT, TVR Griffith, Porsche 911, Jaguar E, De Tomaso Pantera (ficou famoso porque o Elvis tinha um, é italiano com motor americano e cospe fogo pelos escapes cada vez que há uma redução nas rotações), BMW 2002 Alpina, Ford Escort MKi, AC Cobra (e os seus ruídosos motores), e um Daimler Benz 300 SEL com motor de 6 litros... entre outros) e das motas históricas também houve aquele que, certamente, foi um dos pontos altos deste evento. Foi, sem dúvida, o “Slalom Michelin Rali de Portugal”, acontecimento que recriou a prova de fecho daquele que foi o nosso grande rali do Campeonato do Mundo, outrora denominado como “O Melhor Rali do Mundo”.

Tinham os mini-Minis (Minis cortados, sem os lugares de trás) na sua classe própria porque "limpavam" aquilo tudo se estivessem com os outros. As primeiras vezes eram bonitos de se verem... depois irritavam por fazerem aquilo tudo direitinho, à primeira e sem espalhafato. O que a malta quer é algazarra: muito barulho, muita borracha queimada, saidas e enganos no circuito, que eles derrubem muitos pinos e obstáculos, que façam tangentes aos muros sem intenção, isso é que nos faz levantar das bancadas e bater palmas, nos faz sentir emoção e adrenalina no corpo. Tudo isto junto só foi possível com os Ford Escort, Lotus Cortina, Lotus Talbot, Datsun 1200 e o Alfa Romeo SZ (o único que vi ao vivo até hoje... fiquei perturbado ao recordar quem adorava o carro e já não o poderá ver) do Rodrigo Gallego (que para quem não sabe, é português e é o actual campeão de TGP (F1 clássicos, "Thoroughbred Grand Prix")).

Muito engraçado foi quando choveu (teria sido muito mais engraçado se eu não tivesse ficado à chuva sem chapéu...), que proporcionou um grande bailado de Datsuns 1200 (tracção traseira) nos "ésses" do Autódromo do Estoril. Mas o que me fez rir mais, ou pelo menos deu vontade de bater em alguém, foi ouvir, quando a chuva ainda se aproximava lá ao fundo, um "cavalheiro" ao meu lado dizer: "oh pah ela... até deita fumo, depois não é de admirar que hajam tantos incêndios!"

Eu e o meu amigo Vencilis, só nos imaginávamos: "E agora vinham ter com a gente e diziam que precisavam de dois pilotos para uma prova qualquer... e agora era mesmo verdade", "e agora por sermos simpáticos e muito bonitos uma velha rica dáva-nos um carro destes à escolha". No fim já nos contentávamos se alguém nos deixasse dar uma voltita numa mota miniatura que estava lá à venda e que só os meninos ricos tinham acesso.


Tanta excitação e comoção vivida, originou-me um aperto na bexiga. Mas assim que ouvi a ignição de um F1 que se encontrava a um metro de mim(e não mais de 1.05 metros), tal constrangimento acabou por desaparecer naturalmente devido à adrenalina bombeada em altas doses directamente no sistema nervoso a um rítmo que apenas me permitia inspirar emitindo um pequeno som gutural, expirar era algo fora das minhas limitadas capacidades. Olhos de tal forma abertos que só não me caíram porque bateram nos meus novos óculos "Jorge Armando". Estranho foi o "quentinho agradável" que senti nas pernas... ainda está por explicar.

Bom, talvez não seja assim tão difícil de explicar... momentos antes tinha ido "órinar" para me vangloriar que já tinha expelido líquidos pela uretra na retrete do Autódromo Fernanda Pires da Silva (gosto muito desta palavra... "retrete", deixa o lateiro que há em mim falar). O quentinho era originário dos escapes do bólide que, de pulmões cheios, sopravam monóxido e dióxido de carbono misturados com muita gasolina mal queimada.

Muitos, ao lerem estas últimas linhas, pensaram certamente que se tratava de um regresso meu à meninice. Enganam-se... embora com muita pena minha.


Esta paixão por automóveis remonta a esses tempos, aos tempo do infantário. Onde, dos meus brinquedos preferidos, constavam pneus usados amontoados no pátio. Os pneus maiores eram os mais apreciados, porque ganhavam mais balanço e podiam ser decisivos numa corrida, nem que fosse no mau sentido... às vezes não tínhamos "unhas" para o pneu, as pernas fraquejavam e começavam a ficar para trás, e ao tentar controlar o acelerado aro de borracha, dávamos por nós num estonteante "drift" de barriga, cuja fricção no chão nos aquecia ao ponto de deixar ferida, calcanhares a rentar a nuca, e claro, as mãos, que cuspiam a pouca gravilha que não ficava agarrada à carne, e os braços, de cotovelos rasgados nas mangas, permaneciam ambos esticados para a frente num último desespero para agarrar o potente veículo e a honra na corrida. Tempos tristes vivem as crianças de hoje. Só podem brincar, se assim se pode chamar, com produtos aprovados pela UE... quem não sente saudades da zona da oficina no infantário? Onde bastava a educadora desviar o olhar e já estava um a guinchar de extrema e descomedida agonia depois de ter mutilado um ou mais dos seus pequeníssimos dedos com o martelo... à "pala" desta recordação soltei uma gargalhada abafada num local dedicado ao estudo onde o culto pelo silêncio é exigído (já não basta estar no curso em que estou e a fama que ele acarreta, que não contente com isso, devo andar sempre a "queimar-me" sem ter consciência dos meus actos).

Tinhamos livre acesso a substâncias psicotrópicas (quem é a pessoa, que se diz pessoa, que nunca comeu ou plasticina ou sabão azul, lambeu sticks de cola UHU ou encheu a boca de tinta?) que nos permitiam falar com os espíritos da casa e que também nos proporcionavam umas boas corridas, que eram mais levitações a grandes velocidades pela sala de "aula" que outra coisa. A sala... com as paredes repletas de desenhos que nos dias de hoje nos parecem dois traços semi-rectos e um meio curvo mas na altura eram suficientes para representar, com exactidão queiroziana, a família a visitar o Mosterio dos Jerónimos, num dia de sol forte em que se pediram, três cones com duas bolas de gelado cada (e seus respectivos sabores). O pedido, como facilmente se discernia com uma breve análise ao desenho, tinha sido feito numa carrinha de gelados conduzida por um homem de boné vermelho com uma estampagem barata de um urso polar a subir a um iceberg. Era ainda possível aos mais perspicazes, notar que o mais pequeno elemento da família tinha a camisola suja de gelado de frutos silvestres.


Eram tempos tão belos esses da infância, onde tudo era tão simples... não havia problema que aguentasse mais de 18 segundos na nossa cabeça e quanto a raparigas eram só para levantar as saias (apesar de não percebermos para que o estávamos a fazer... deve ter sido algum velho que nos ensinou a troco de rubeçados, para puder estar a ver o festim "lá do fundo"), nada destas complexidades e enleios que nos acabrunham nos tempos que correm (não tem o significado que pensam ao tirar pelo ínicio da fonia da palavra). E eu, que era uma paz de moço, um cachopo muito atinadinho, que era o exemplo dado por muitas senhoras de idade para os netos dela.

Quando os outros meninos me chateavam ou me contrariavam, com um ar muito tranquilo enquanto os olhava na raiz dos olhos, e como se estivesse a fazer o melhor para os dois (assim a vítima ganha-nos uma certa confiança, fica à vontade e mais serena de espírito, é uma sensação idêntica à sentida pela gazela quando é hipnoticamente fitada pelo leão antes de este atacar) enfiava-lhes o dedo indicador pela cavidade ocular acima. Ficava logo o assunto tratado sem preocupações e sem burocracias de maior.

Era eu também quem tinha os desenhos mais bonitos da sala... quem, por algum instante, os tinha melhores que os meus, os seus apareciam estranhamente riscados por obra do acaso. Eu, com olhos reluzentes de bambi atropelado, prontificava-me a ajudar na procura do culpado. Se tinham o azar (sim, o azar era deles e não meu) de o meu "boneco" aparecer riscado, era sinónimo que muitos meninos iriam ter com a educadora a berrar em baba e ranho (que já escorria por aquele "bibe" aos quadradinhos azuis ou cor-de-rosa e com um botão de cada feitio), com ambas as mãos das pestanas, ao passo que eu estava sentado a brincar com as plasticinas muito sossegadinho, com ar de que não é nada comigo na sua variante "ar de quando cá cheguei já ele estava assim nessa fantochada".

Tempos belos esses em que todos nós desconhecíamos o racismo e a descriminação. Era a época da inocência, todas as nossas acções eram puras, simples e livres de preconceitos.

Lembro com saudade o trabalho de área-escola do 5º ano, em que o projecto consistia numa pequena manifestação contra o racismo. Desfilámos pelas ruas e avenidas de Alvalade ornamentados de vestimentas escuras, fios com bolotas e nozes, exibindo com aparato uma máscara castanho-nharro elaborada por nós (lembro-me, como se fosse hoje, que o que mais me custou fazer na altura, foi a carapinha em relevo...). Foi com esta mesma inocência que gozámos com o Hélder, com o Ilídio e com o Reginaldo por estes já estarem mascarados... tiveram todos 5 por estarem melhor caracterizados que os demais (claro... aqui já não há racismo, fomos descriminados em relação a eles, mas aqui já o SOS Racismo não intervém, tal como me desliga o telefone na cara quando lhes ligo a dizer que fui assaltado por 7 turras em plena camioneta na Costa da Caparica).
É que até a jogar ao "guélas" falavamos sem malícia: "Cãe hiéha jugare?" Ao que alguém protamente respondia -" éu mas carrádo" ou "héstu hóquei hemádu"... ah meninice que não voltas.



Lembrei-me de uma questão que me intrigava há uns tempos atrás e a qual me recordei à pouco tempo, por estar a reviver tempos passados: que fenómeno exotérico ocorreu no início do video amador (no tempo do 8 mm e das máquinas de projectar Eumig (que toda a gente tinha uma para projectar um filme mudo de desenhos animados, poucos eram os filmes e viam-se sempre como se fosse a primeira vez), este fenómeno, que vou introduzir já mais à frente, era muito raro porque as máquinas de filmar eram raras como causa do seu elevado preço e da revelação da fita não ser barata. Não havia portanto a vulgaridade de fazer "filmes amadores". O preço do meio de suporte da informação e da sua revelação originavam uma grande e séria ponderação sobre o "consumo" de fita. 15 minutos davam para testemunho de umas férias de 2 semanas num local nunca antes visitado e mesmo assim sobravam sempre 3 minutos que eram guardados para algum acontecimento "especial". Era impensável que um fim de semana na "terra" desse direito a 72 horas de "reportagem" onde até os "colhões" (passo a expressão) do burro era motivo de filmagem por aparentarem um maior volume ao da semana anterior. Filmar cerimónias "religiosas" de parentes afastados? Era o casamento ou baptizado do filho e mesmo assim eram 2 minutos no máximo para não cansar muito a máquina. Filmava-se os primeiros passos do filho e não a saga "Quando o Ruben era Pequeno" ("primeiras" quedas como tentativas de passos (Imaginem-se a ver um Best of João V. Pinto num DVD de duas horas), o puto a dormir num "curto" filme de 57 minutos (aquilo ou uma foto só diferenciava se a foto estivesse tremida), as primeiras laradas no penico...)) que obrigava as pessoas a andar dobradas, em frente à câmara de vídeo, a olhar para a objectiva que nem um gato a olhar fascinado para os farois acessos de um carro em movimento, momentos antes de uma fatídica projecção de 270 metros ou de uma prensagem, irrevogável pelo destino, num radiador anónimo?


Ou era um fenómeno paranormal provocado pela radioactividade do led vermelho da câmara de vídeo, que avisava que estava escrito "rec" no visor, em associação com a figura de um parolo barrigudo temporariamente vesgo de um olho, semi-careca (culpa da meia-idade), fazendo uma cara de agudo sofrimento para conter o ar no tórax e não tremer (tinha efeito contrário curiosamente... tal eram as "guinadas" oscilatórias que vitimizavam a gravação. Enumeras foram as visitas que perguntavam -"Foi filmado dentro do carro?" ou "Estava assim tanto frio ou estavas a assoar o obué (a mesma actividade de nome "dar corda ao palhaço" mas mais frenética e descontrolada)?") ostentando tal misterioso aparelho?



Apenas após, ou após apenas, um ano tive direito a um pequeno incremento no número de comentários no blog... "sim sanhora!". Já passei o milhar de visitas mas muitas delas continuam a ser devidas ao resultado da combinação "Lenka preço certo em euros" em alguns motores de busca.

É preciso ganhar-se algum estatuto e, principalmente, ofender muita gente para se conseguir um comentário. Confesso que alguns dos comentadores (quase todos para precisar) foram forçados a comentar, uns sob ordem directa sobre coacção de represálias e outros por verem os seus nomes muitas vezes mencionados, mas também há quem o faça de livre vontade.

Quem deu a ajuda para este blog ser criado, prefere o sigilo do email para comentar, assim garante que as sentenças e identidade não sejam profanadas.

Tenho uns leitores fiéis que parecem apreciar o meu produto e nem é preciso avisá-los que fiz actualizações no blog porque vêem cá de livre vontade.

Depois tenho os leitores mais recentes... com esses é mais difícil de lidar porque esta juventude tem um humor muito especial... riem-se com coisas muito próprias lá deles. Espero que encontrem aqui motivos para se rirem, nem que seja de mim (neste caso é bom que andem com cabeças de coelho ao peito para evitar o mau olhado (Se leram os posts todos vão ver que esta já tem algum tempo)).

Há ainda aqueles (acabei agora mesmo de dizer um palavrão, que mais não é que o nome de um pássaro fenício ("Fovdvs Sasse"), após ter tentado partir uma bolacha dentro da boca para não me encher de migalhas e a bolacha se ter partido com um corte perpendicular ao que eu intencionava, pulverizando-me de estilhaços.) que assim que entram aqui nas "instalações" desta facécias (o dicionário tem cada palavra... eu com um vocabulário elementar de dois ou três grunhidos monossilábicos (que basicamente significam "comida", "água" e "canal do aparelho genital dos mamíferos-fêmeas que se situa entre a vulva e o útero" (Esta frase anterior tem certamente os conteúdos mais ordinários que escrevi até hoje...)) combinados, consigo arranjar sinónimos para quase tudo) dizem: "Ena, é tão grande (não escrevi isto com bons sentidos)... hoje não tenho tempo, mas amanhã já leio, tah?", "Escreves bués..." e depois remetem-se ao silêncio. Estes, que são a grande maioria, já sei que nunca vão ler isto.
Escrevi este post, certamente o maior que escrevi desde sempre (embora quantidade não signifique qualidade), a pensar nestes últimos... ou seja, acabei de me condenar a que esse grupo preponderante jamais passe das primeiras linhas. Mas não fiz mais que o que um garoto da Musgueira faria a alguém com quem não simpatiza, esticar-lhes o "mega" enquanto estam a virar as costas.


Há ainda aquela rede de malha fina para capturar uma melhor qualidade de leitores do meu blog. No ínicio do desenvolvimento deste post, pus um assunto menos atractivo aos olhos de uns, e só depois algo de "interesse" geral (como se o que escrevo interessasse a alguém). Assim garanto que quem leu o resto fê-lo com intenção e desígnio e não o fez de castigo. Vamos lá ver então, quantos chegaram até aqui, e quantos é que desses, estão dispostos a comentar de livre vontade. É que um blog que não seja lido, não tem razão de o ser...

terça-feira, outubro 19, 2004

Uma Volta no Carrocel Solar

É verdade... já lá vai um ano desde que me meti neste poço de descarga mental. É mais que certo ("mais que certo"... sendo o "certo" uma condição lógica - "0" errado, "1" - certo/verdade - como é possível ir além de uma coisa que é absoluta? Já arranjei motivo para contestação.... adiante) que jamais alguém se lembraria, ou repararia, que hoje faz um ano que meti aqui o primeiro post, mas cá estou eu com mais um.

Isto agora de ter um blog é uma coisa demasiado banal... toda a gente tem um! Na grande maioria dos casos metem um ou dois posts de nome "teste" e depois a coisa morre (amigo CÆSAR Metalleirvs, não é contigo). Outros, por seu turno, pensam que têm o melhor blog do mundo e passam os dias a contemplá-lo sempre com a esperança que têm um novo comentário (quem por esta altura já me incluiu no segundo grupo que se desengane... eu tenho consciência que isto não é lá grande obra, só escrevo palermices. Estou-me a larar para quem não gostar ou se sentir incomodado ou mesmo para quem isto não surte qualquer efeito). Existe ainda um crecente grupo que posta emails "cómicos"... daqueles que já recebemos em 2002, juntamente com 5 chain-letters, mas que é sempre agradável (+w naa +e i xaeakgi|, ups... estava agora a limpar o teclado e isto apareceu aqui. Também já me aconteceu tentar afastar um insecto do monitor com o cursor do rato. Isto de morar em frente a um jardim tens os seus pros e contras... há uns dias atrás tinha uma pequena osga na parede do quarto. Foi realmente fabuloso! Mas como não vivo sozinho tive que pedir desculpa ao recém-chegado hospede e mandá-lo suavemente pela janela) reler outra vez.

Não sei ao certo com que objectivo continuo a escrever aqui... para mostrar uma presumível criatividade minha não o é certamente visto que não preciso de provar nada a ninguém. Para cativar a simpatia de raparigas muito menos será, escrevo tanto de uma vez que cada post acaba por ganhar contornos a roçar «rés vés» Campo Santana os limiar do aborrecido ao invés do aprazível. Talvez seja para agradar a alguns amigos ou, mais simplesmente, para queimar tempo (o que é muito improvável, tenho mais coisas para o estoirar).

O que poderei eu escrever aqui para post? O regresso às aulas? Já o fiz mais ou menos no último post e apenas iria acrescentar que estou a aprimorar as técnicas de bocejar apenas com a narina contrária à posição do professor e a de me espreguiçar somente com os dedos dos pés.

Resta-me meter um pequeno excerto das minhas férias e do Estoril Historic Festival 2004 ao qual assisti ao vivo (eternamente grato Zé «Grande Mestre Feiticeiro» por tal dádiva, que o Espírito do Cavalo continue a correr livre nas planicies por ti. Não confundir com o Jezué Toinhó que, apesar de volta não volta ter as suas quebras (como qualquer um de nós as tem), não deixa de ser bom rapaz).
Por escassez de tempo irei optar apenas por falar das férias. Mas irei desenvolver o EHF em breve.


Havendo quem prefira ficar enclasurado numa cave gélida a repirar humidade e mofo, ambos cheios de fungos e de outras maleitas que se alojam nos locais mais recônditos da natureza humana (não percebi onde quero chegar...), com uma fugaz e eternitente luz artifícial, agarrado a uma caixa a quem chamam de "ordinatór", durante 15 horas seguidas, eu prefiro continuar em busca de mais um agradável passeio.
Este Verão fui três vezes a Portimão (já me estou a tornar fã). Agradeço aos amigos que me convidaram a lá ir («Sôr Lampreia», «Vencislis» e aos meus progenitores) e digo que adorei o acolhimento, sem discriminar nenhuma das estadias.

Recordo com especial carinho as idas de "cámiunete"... todos a passarem meticulosamente à frente para que os outros não lhes passarem à frente ("já os meus pais me encinaram, iducação acima de tudo... sempre mincinaram (esta gentinha dá muitos erros de ortografia e repetem-se muito) a respétar os óutres mas eista arraia jovem sãe uns malcriadões (...) e não se lhes pode facilitar, mas qué isto?"). O motorista a cortar bilhetes parecia que estava a dar milhos a pombos. Apesar de ter lá chegado mais cedo que muitos dos que entraram primeiro, fui o último a entrar. Mesmo asism era olhado como se tivesse sido o primeiro a entrar após ter passado à frente de todos.

Quando finalmente entrei (10:27) o "velho" que estava no meu lugar (teorema fundamental dos lugares de camionete: há sempre alguém no nosso lugar que teima em que aquele é o lugar dele porque entrou primeiro, não há lugares marcados ou porque eu sou um "malcriadão") já lhe estava a dar num "granda" prego no pão. Quando a camionete finalmente começou a andar a "velha" atrás de mim começou a rezar o terço com uma estridente rumorejante voz ("qué preciso éca gente chegue lá bem!"). Já no fim da Ponte 25 de Abril, estava um veículo de uma senhora com o "capôt", porta-bagagens, porta-luvas e portas todas abertas para apanhar ar e arrefecer (se está avariado tem que se abrir tudo o que der para abrir para dar a imagem "hollywoodesca" de avariado) a ser ajudada por um mecânico de bigode amarelado pelo cigarro sempre acesso no canto da boca, vestido com um fato de treino azul-escuro, com uma risca branca e um fechos daqueles que fazem uma marreca à frente, todo ele com ar de "isto é reparação para uns 600/700 óires" (é verdade... a falta de gasolina pode provocar danos irreversíveis a nível dos amortecedores e na direcção). Já para não falar no auxiliar do mecânico, barrigudo, calças de ganga lassas e em baixo, uma camisola da selecção com um colete amarelo flurescente com bandas reflectoras por cima, que passou o tempo todo a olhar, com ar de bloqueado mental, para os carros a passar.

Quando chegámos a Almada (10:58) veio mais uma remessa de gente. Uma das senhoras cumprimentou, toda radiante, os passageiros - "bom dia a toda a gente". A velhota que estava atrás de mim levantou-se a correr com uma banana na mão a pensar que era a primeira ida ao W.C.. Mal partímos, deu-se o caso do jogo.... 2 jovens, que estavam nos lugares da frente, levaram o caminho todo a levar nas orelhas por terem, passo a expressão, "cagado os assentos com iogurte". "Ainda nem há 10 minutos saímos e já estão a comer...em cada viagem que faço não posso mandar lavar o autocarro. Os senhores não gostam de encontrar o autocarro sujo quando entrão pois não?". Curioso foi a "velha da banana" a refilar lá para com ela - "jovens malcriadões... não fazem isto em casa deles" - enquando palitava os dentes com o mindinho (boca toda aberta, braço torcido e palma da mão para cima) e fazia barulhos de sucção ao contrair as bochechas, retirando enormes porções de plátano os quais eram colocados no forro do banco da frente, onde já anteriormente tinham sido colocados os "fios da casca" da banana.

Em Aljustrel (12:21), o homem do prego foi visto ostentando uma fenomenal geleira azul. Como é que esta malta consegue ir de camioneta até França se para uma viagem que nem percorrer meio Portugal, comem que nem ursos pardos em pré-hibernação?

Chegádos quase ao fim do trajecto, e em estrada mais sinuosa, a velha do banco de trás mais uma vez faz questão de me lixar o juízo. Agarrou-se ao meu banco, exalando um putrefacto bafo seco, de quem passou anos a inalar uma mistura de naftalina/cânfora com um forte hálito de quem comeu uma banana madurinha.
Por esta altura acabou-se me o guardanado de pastelaria onde estava a fazer o diário da viagem...

Relembro-me de outra peripécia em camionetas noutra ida para Portimão, desta vez na segunda ida.
Mal começou a viagem deu-me uma vontade de mijar daquelas que aparecem quando estamos a chegar a casa (efeito psicológico instantâneo que ocorre assim que estamos perto, mas não o suficiente, do mijatório) - "como é isto possível se ainda agora mijei?".
Ainda pensei pedir ao motorista mas como tinha cabeça (não apenas a cara portanto) de casmurro desisti da ideia. Foi então, num magnífico acesso da mais pura das inteligências e fruto de um raciocínio sagaz, que conjecturei - "ora ter vontade de mijar (repare-se na contínua utilização da palavra "mijar" para entoar o aflitivo aperto que sentia na bexiga) é contrário a ter sede... tal como seca é oposto de dilúvio.
Comi um pacote de bolachas Maria com mais de 8 meses de armário (secas que nem terra que foi à estufa) é o equivalente a induzir sede ao organismo.
Resultado... fui o resto da viagem com uma contínua necessidade fisiológica de carácter líquido a incomodar-me, boca de tal modo seca que até as gengivas gretavam e o céu da boca estalava de agonia e, para ajudar, parecia que o meu estômago estava a andar no Twister da feira-popular com um esófago a pedir vómito . Com isto tudo, levei cerca de 4 semanas a chegar a Portimão.

Em Portimão, mais propriamente na Praia da Rocha, reparei nalguns promenores curiosos: A Rainha do Artesanato vendia raquetes da "Costa Del Sol" e estava cheia de bolas e baldes, em plástico ordinário, com figuras alusivas aos Pokemon para a criançada levar para a praia; Índios da América Central criteriosamente ornamentados como os índios da América do Norte a tocar músicas do Richard Clayderman e dos Modern Talking em versão Chill-Out que mais parecia um midi desses que se encontram espalhados por essa internet fora; Por fim... lembro-me de um restaurante algarvio típico eu que o prato do dia ao longo de vários dias da semana e ao longo de várias semanas, foi sempre lombo de porcom assado com esparguete e ketchup (há quem prefira a salada, em vez do ketchup, como acompanhamento). De salientar a tradução para um inglês fluente - "assed pig meat with bolonoise sparghetti". Pronto... a tradução já foi invenção minha.

E assim termino o post que comemora o primeiro aniversário... reformulei o aspecto do blog, que agora tem uma foto tirada por mim. Pode não estar tão bem "arrumado" como o outro, mas foi feito em grande parte por mim, não há desculpa para aparecer outro igual.
Todo o assunto que aqui foi tratado, tal como nos anteriores posts, é sério e com profundos interesses políticos e económicos para a nação... ou então não!
Agradeço profundamente aos que tiveram paciência para ler isto tudo até ao fim, se tivesse tempo teria escrito ainda mais, e sobretudo a quem lê o blog regularmente e o comenta ainda que pessoalmente.

quarta-feira, setembro 22, 2004

Chagas da Modernice

E pronto... finalmente um comentário! Tinha prometido a mim mesmo que não iria postar até alguém comentar o que tinha escrito anteriormente, assim o fiz. O comentário foi escrito por alguém que não tinha obrigação (sim, obrigação... é uma espécie de moeda de troca pelos meus posts, só assim vejo o meu trabalho reconhecido) de o fazer, visto que já tinha falado comigo por várias vezes e, principalmente, porque ele estava presente no narrado dia, mas fê-lo. Depois daquele esmero todo que tive nem um comentário. Para castigo perderam-se vários posts... um deles, para fenómeno inédito, ia gozar fortemente comigo mesmo. Passou o tempo e já não há hipotese de voltar atrás. Para piorar a minha vontade constatei que tive um aumento de visitas diárias (tenho 600 visitas em que apenas somam visitantes únicos (eu não conto) num dia e não várias visitas do mesmo)... mas ninguém se acusa. Será que há quem "leia" o meu blog só para efeitos de plagio? Já encontrei quem tenha o aspecto geral muito "parecido" (vou criar uma template com coisas demasiado pessoais que qualquer tentativa de alteração só a irá desfigurar), só espero não encontrar o mesmo género de conteúdos noutros blogs. Eu, aquando da revelação dos blogs (graças à aclamada ninfa (que nunca escreveu nada nos comentários mas, acredito que seja para preservar a sua identidade dos demais leitores)), não tinha a mínima referência no que neles se escrevia, apenas usei o meu estro.

É que a ideia com que eu fiquei é que quem leu este meu último post se sentiu de tal maneira diminuído que até o prepúcio lhes ganhou pregas. "Ai ca nojo! Lésbicas boazonas a comerem-se... blergh! Eu é só rapazinhos sem barba e bem lavadinhos com sabonete". Não sei o que se passou... elucidem-me.

Continuando...

Para relembrar a história dos 80 euros para desempenar o eixo do carro... fui à minha oficina oficial (que pertence a familiares genealogicamente afastados) e, após medições feitas com uma precição kafkiana, constactou-se que a referida divergência era de 4 mm. Resumindo, queriam haurir-me dinheiro. Encarreguei os preparadores técnicos de tratarem do "problema" e substituir um tubo na máquina (um tubo de refrigeração que tinha sido encomendado de Itália há uns meses e que ainda não tinha sido substituído, para o montar é preciso desmontar muita coisa à volta do motor, ou seja, muita mão de obra). Para concluir, arranjaram o eixo, trocaram o dito tubo, renovaram o líquido de refrigeração e ainda me lavaram o carro, tudo por 60 euros...


Isto agora é tempo de aulas... e em tempo de aulas as únicas coisas que não tenho são imaginação e força de vontade. As aulas são uma debelitante contradição ao bom senso que a sociedade teve que criar, para quê? Se os macacos nascem ensinados (e nós que descendemos dos macacos...) porque raio teriam que inventar a escola? É estar a desafiar todos os seres e forças que formam o Universo ... ao termos escola, a sabedoria, por transformação progressiva nas espécies, deixa de nos estar inerente à nascença. É uma escandalosa retrogradação na Natureza.

Para mim a escola é como um desenho animado... se nos distraímos um bocado começamos a sentir o chão a faltar-nos aos pés e, assim que nos apercebemos do que nos está a acontecer, caímos pelo penhasco abaixo. Basta estarmos um nadinha confiantes e em pouco tempo estamos a comer com uma bigorna com a insígnia "5 ton" pelos "cornvs" a dentro. Até quando alguém aparece cheio de boa vontade para nos oferece alguma "coisa boa" é mau sinal porque mais não é que um embrulho cheio de barras de dinamite (o segredo, apenas neste caso, é devolver a prenda no fim do pavio... se alguém conseguir aplicar isto na vida real que meta em comentário (logo a seguir a ter escrito isto lembrei-me... um fulano X engravida a rapariga Y, e ao fim de 8.5 meses passa-a ao rapaz Z. No Texas, um fazendeiro de nome John (americano que se preze chama-se John), passava-as ao próximo assim que o "rebentar das águas" ocorria)).

Outra coisa que não consigo entender é o alarido todo à volta da colocação de professores nas escolas. Para quê tanto celeuma? Tirando os mais "coninhas", ninguém gosta de aulas, nem professores nem alunos (os pais sádicos gostam de aulas para manterem a "pequenada" entretida). Os alunos, com um grande sorriso numa cara cheia de sardas e de pó de andarem a rebolar pelo pátio da escola apenas por irreverente carolice (para não falar nas mangas das camisolas de malha grossa cheias de ranho de se assoarem constantemente) dissem que só têm aulas para o mês que vem. Os professores nunca falam em dar aulas... referem-se sempre ao facto de não saberem o que vai ser do seu "emprego", eles querem é o graveto dos contribuintes, nunca se mostraram preocupados com as crianças, que já não nascem ensinadas, se elas permanecerem numa alegre e serena ignorância é problema dos pais... que as eduquem. Para ser sincero, os professores são ninhos de problemas, sem eles não havia que estudar doentiamente, não haveriam más notas, não haveria abandono escolar e consequente trabalho infantil, crianças a coserem carteiras, bolas e sapatos no Bangladesh ou no Burundi, jamais se veriam crianças em plantações de cocaína na Colombia, seria impossível ver crianças desde manhã cedo em salas húmidas, fechadas de um mundo livre e belo, para serem submetidas a lobotomias psíquicas, a frio e sem condições que garantam a sua sobrevivência, a que eles chamam de "lição", enfim... uma infinidade de calamidades e de cenas decadentes.


E pronto... já escrevi qualquer coisa (certamente terá sido um dos piores posts). Agora vou para a praia até que o Inverno volte e que me obrigue a escrever mais qualquer coisa para o pagode.

PS: voltei a meter música de fundo porque assim me apeteceu. Como não encontrei midis de Incubus (infelizmente constatei que existem e andam a espalhar-se por aí que nem abelhas africanas) tive que remediar com uma música dessas menos conhecidas de Motörhead (ah sarcasmo que me envenenas a alma, maldito sejas!).
"Bebo um copo de whisky de boa vontade. Eu nem costumo beber desse, mas tenho a garganta tão seca..."

sábado, agosto 21, 2004

O Dia Que Deus Criou

Hoje, certamente, será um dia de férias para recordar separadamente de todos os outros dias. Será um dia singular e não uma sucessão de dias que ditam um acontento. Hoje foi um dia que ditou vários acontecimentos...

Bem... na realidade o dia nem começou lá muito bem. Fui à gasolineira do Lumiar para alinhar a direcção e saí de lá com a ideia de que me queriam "comer" 80 euros para desempenar o eixo dianteiro à marretada... irei averiguar, através de fontes fidedignas, se é realmente este o preço a praticar.

Fui para a praia (terei infelizmente que omitir a praia em questão para não se tornar local de peregrinação, o que, de certa forma, me vai obrigar a preterir muita minudência encantadora) com o meu amigo, e companheiro de guerrilha, Vencislis. Fomos com o objectivo de respirar ar purificador (até respirámos bastante ar graças ao vento que se fazia sentir, a areia que se levantava, essa... ajudava o ar a ir para baixo, até parecia que o bolo de noz tinha a casca como um dos seus ingredientes).

Para primeira visão fascinante, a caminho da praia, vimos um dos primeiros Porsches 911 bastante estimado, modelo da decada de 70, cor de laranja e com um trabalhar estrondoso. De regresso a casa vimos os carros que nos movem as paixões... para começar um Lancia Delta HF Integrale Evo II Giallo (para os leigos é amarelo Ferrari e só fizeram 220 para todo o mundo). Não tinha sido percorrido mais de um kilometro e paralizámos a ver um Ferrari Testarossa, ainda estávamos a discutir o feito de ter visto duas belas peças de engenharia e design quando passa por nós outro Testarossa... a nossa aura enalteceu-se ainda mais.

Bem... também tínhamos visto antes na praia (daí eu vir-me forçado a olvidar a praia a que fomos), duas raparigas de cara linda e primorosamente bem feitas (ou seja... não eram cavalonas mas eram ligeiramente altas, não tinham mamas dignas de gado bovino mas ostentavam umas glândulas mamárias de tamanho ideal e tinham os dentes merecedores de um anúncio a pasta de dentes) a apanhar banhos de sol. Ia-me esquecendo de dizer que estavam ambas em topless e demonstravam uma grande intimidade uma pela outra. Intimidade suficiente para estarem abraçadas, tirarem areia de forma minuciosa dos seios uma da outra, o mesmo se passou em relação às partes posteriores carnudas e globosas que formam a parte superior e posterior das coxas (muito bem tratadas e desenhadas por sinal). Estas belas criaturas, que o Senhor projectou e criou com tanto esmero e apuro, por vezes juntavam delicadamente as testas e cobriam as suas faces com uma toalha para ocultar a união duns formosíssimos lábios, união que resultaria, certamente, num prolongado ósculo. Mesmo que este acto não fosse encoberto também nos seria impossível vê-lo tal seria a intensidade luminosa a ofuscar-nos a vista... por um lado fiquei aborrecido por não ter levado a máquina fotográfica mas no fundo congratulo-me e rejubilo-me de não a ter comigo... era estar a profanar algo tão divino, toda a plebe quereria ver as exposições sem saberem o que é Arte. Será uma memória apenas nossa! Diziam os mais doutos e eruditos gregos que a relação entre dois homens era a mais soberba e entre duas mulheres a mais reles... uma coisa vos garanto, ou eles eram panascas doentes (que é mais que certo para grande parte da população portuguesa depois do Euro) ou nunca vislumbraram tamanha extravagância e luxúria.

Assistir a todos aqueles movimentos que mais pareciam uma coreografia sublime e majestosa, era como estar coberto de frias nuvens brancas e vivas que geravam uma ansiosa inquietação profunda incitada por um desejo imoderado e sôfrego.

Poderia estar aqui eternamente a tentar descrever o que vi que jamais conseguiria expremir a intensidade daquela "abalo moral" pelo qual me deixei fascinar.


Os três carros italianos foram avistados ainda sobre o efeito daquele avistamento e por isso, de certa forma, até foram desvalorizados... mas, aconselhado pelo Vencislis, tive que expôr os acontecimentos por ordem crescente de efeito exaltador de emoções, começar pelo melhor era pôr de parte o resto, resto esse que isolado causaria grande delírio.

quarta-feira, julho 14, 2004

Once Upon a Time in Rock in Rio

Têm sido poucas as criaturas que têm visitado o meu blog... não lhes deixo de agradecer por lerem isto de castigo só para dizer que são meus amigos (ou então só o lêem porque têm medo de serem algum dos alvos visados nos meus posts). Com menos gente a ler isto também o incentivo é menor (já referenciei umas 124 vezes mas foram prezes que não tiveram grande apreço), agora em época de exames os posts ainda vão ser mais escassos.
Já não irei prometer post nenhum que tenha escrito em papel, porque entretanto passa o prazo para o postar, e meter uma coisa desactualizada é sempre bera. Mesmo assim vou escrever o que se segue porque achei que pudesse agradar a alguém. Confesso que tinha isto escrito em papel há bastante tempo e só hoje me apeteceu passar para o Blog, como já é um assunto um bocado fora de data, reduzi ligeiramente.


No solo da Terra Prometida o pó se levantava (muito por sinal). O voar agitado dos pássaros (os aviões com vôo rasante não contam) pressagiavam uma noite de tormenta, a profecia concretizou-se com um catrapázio de horas a incinerar pagões.

Dizem os velhos que aquela cerimónia é executada para acalmar os espíritos perdidos e para os Deuses serem generosos e nos brindarem com um mundo melhor, outros diriam que que não passa de um ritual onde aquela massa de gente vendia a alma ao Diabo em conjunto. Bem... à parte da referenciada poeira (o National Geographic se quisesse fazer um documentário sobre as tempestades de areia no norte do Sahara só tinha que editar o som vindo do palco para algo que se assemelhasse a um camelo com cio ou ao chamamento aflito de um dromedário em fase de amamentação que se viu perdido da sua progenitora. Em caso extremo dizia-se que os gritos do público eram o povo do deserto a pedir auxílio a Rhá. Um sequela de Tempestade no Deserto também teria ali um bom cenário, se aproveitassem a introdução da One dos 'tallica nem eram necessários grandes efeitos especiais) e das senhas para comprar o que quer que fosse no recinto e que só podiam ser rebatidas no fim do espectáculo, não sei como é que aquele batalhão de pessoas (98% veneravam o Diabo) podem contribuir para um "mundo melhor"... 53 euros...? Sim senhora... assim ficamos todos pobres e não há cá diferenças. Só com a publicidade existente em toda a área (e cá fora também) e que se teve que gramar no intervalo das bandas, com anúncios nada manipuladores, devíamos ver aquilo quase à borla.

Quanto à música e às bandas... como não sou crítico de música e como o assunto já foi mais que analisado, não irei dizer nada. (Se dissesse algo seria altamente tendencioso e uma das bandas alvo pela negativa e que eu iria exprobar é apreciada por alguns dos leitores... mas porra! Incubus no dia de metal? Fiquei com dores nos joelhos e começou-me a dar o sono só de estar à espera... "Cala-te que não sabes o que dizes! Foi das bandas que esteve melhor! blah blah" ah...! 'tá bem... foram fazer promoção do novo album e não dirigiram a palavra ao público, nem para nos ofender ou agadecer, mas foi bom...! Uma mortificação de hora e meia é sempre bastante agradável. Agora a sério... foi dos melhores momentos em que consegui respirar, seria porque estava tudo sentado à espera que acabasse?)

Pronto! Já está por hoje... como não tem assim muita piada e nem nada muito imaginativo deixo esta pergunta em aberto:

Como será um filme porno com som prológico/surrond? Será que se ouve uma mama a balouçar (som curioso, levou anos a digitalizar) atrás da cabeça e algo mais a chapinhar à frente? Ou será que o produtor prefere localizar a "acção da boa" no espaço? Podem tentar dar opiniões no comentários. No entanto há uma certa pessoa que não pode fazer qualquer tipo de comentário a este respeito visto que no post anterior escrever relativo a estes assuntos "pixotéricos" sem ser caso para tal.

Até breve... ;)