quarta-feira, junho 22, 2005

Adoração à Creoulina

Não queria mas a tal me obrigam...

Não venho dar recados nenhuns a ninguém, a situação é demasiado grave para isso. Não é uma questão de História, nem de identidade ou de cultura, é sim uma questão de respeito pelo ser humano e pela vida em sociedade. Estou farto que me mandem em cara coisas infundamentadas e desprovidas de argumentos com nexo. Qualquer coisa que eu diga sobre crime ou segurança é "impugnada" com um "és pouco racista és...", o que revela quem associa o crime às etnias.

Não estive, por conseguinte foi impossível verem-me lá, na manifestação de dia 18 porque, muito simplesmente, ela foi convocada para contestar a onda de crime que tem abalado o nosso país e que tem aumentado de forma exponencial mas, na realidade, foi uma manifestação da extrema-direita e virada para a xenofobia e são ideais que se desviam em muito dos meus ideais, embora haja um infímo de ideias em comum, mas estas são provocadas pelos factos e não por qualquer doutrina, opinião ou princípio. Acusar por acusar e apontar o dedo com fúria a alguém é fácil, o que é difícil é reflectir sobre o que se incrimina e acusa, “és porque és” ou "não... és agora" ou ainda "não que ideia..." não me parecem ainda, por enquanto, suficientes para defender uma ideia ou fundamentar o que quer que seja.

Mas curiosamente não vi nenhum sofista moderno, desses detentores da razão total e da verdade e sabedoria absoluta, com uma capacidade infinita de visionar o que os rodeia e de julgar os outros, com um megafone na praia de Carcavelos ou nos comboios da linha a apregoar para as vítimas (sublinhe-se a palavra vítimas), que, mais que danos materiais, sofrem danos psíquicos causados pelo terror e pelo pânico, para tirarem as palas dos olhos, palas essas provocadas por ideias racistas que os media nos contaminam, e olharem à sua volta, para verem que são crianças inadaptadas. Bom... há já quem o faça e, enquanto o passageiro do lado é submetido ao choque de ser assaltado, humilhado e molestado, prefere olhar para a janela (mesmo que esteja a passar num túnel), para o tecto (mesmo que não tenha pegadas, embora pouco falte), para os poucos painéis de publicidade que ainda não foram vandalizados e assim tem a sua realidade, "não vejo, logo não existe... só espero que não me toque!".
Mantêm-se imóveis e inertes à espera que o problema dos outros passe e assim evitam serem acusados de racistas ou de extrema-direita, porque é isso que importa! Os outros cometem crimes mas o que importa é que nós nos mantenhamos calados para não nos atribuírem, sempre com grande sobressalto de ânimos, palavras que são ditas com tom incriminatório. Entretanto há quem seja esfaqueado e inutilizado para o resto da vida, mas se se fala no assunto é racismo... como disse uma senhora dePutada do Bloco de Esquerda, Ana Drago, "falar do arrastão é estar a ser-se racista e xenófobo" e respondeu a um deputado que disse "gente capaz de fazer tão mal aos seus mais próximos (...) só pode ter um tratamento de choque”, com um “A intervenção que o senhor deputado fez nesta câmara é ao jeito e na tradição populista, xenófoba e preconceituosa.” Enfim... que comentários fazer?

Mas relembro, por alto, o que um criminologista disse: não é preciso dizer a uma criança para não meter os dedos na tomada da electricidade, basta ela lá meter uma vez os dedos e apanhar um "esticão" que aprende para o resto da vida. É que a vida, como disse um filósofo chinês, é um balanço de dor e prazer, se a criança não sentiu prazer ao meter lá os dedinhos, sentiu dor e não quer repetir a experiência. Ora se os marginais, com estes actos, não sentem dor, obviamente que sentem prazer e querem repeti-lo pelo prazer em si.


Dizem que há manipulação dos media, e é verdade... (poderia dizer que abafam o que realmente se passa para não alarmar ainda mais o cidadão, mas não o farei) por isso é que as imagens e vídeos tardam em aparecer. Então não é que os malandros dos jornalistas passam tardes inteiras entretidos com o The Gimp (programa freeware para Linux de edição de imagens) a mascarrar um a um os marginais até Carcavelos parecer o ponto de chegada do derrame do Prestige ou até o comboio da linha ter o aspecto de que meteram a arder pneus dentro das carruagens?

Jorge Sampaio visitou a Cova da Moura no mesmo dia da manifestação de extrema-direita. Os habitantes da Cova da Moura não são todos marginais nem criminosos, há lá muitas pessoas (quase todas as pessoas, excluindo os animais) que estão numa situação social tal da qual lhes é quase impossível sair, mas o nosso presidente da república fez-se acompanhar por um pequeno exército. Estou certo que qualquer outro cidadão, se lá entrasse, teria sérios problemas e de certo a sua recepção não seria de boas vindas (será que é preciso passaporte para entrar nesta parte do "nosso" Portugal?). Há uns anos o ex-ministro Jorge Coelho tentou fazer o mesmo noutro bairro social problemático (atenção à palavra problemático) mas, por obra do infortúnio, esqueceu-se da escolta de elite e apenas levou jornalistas, confiante que não iria ter problemas por ser quem é... teve que ser accionado um plano de emergência para o conseguirem tirar de lá com um mínimo de segurança. A calamidade foi tal, que os media viram-se forçados a esquecer este pequeno incidente e pouca importância lhe deram.

Aborrece-me profundamente a distorção de factos e o argumento vazio, só com palavras subjectivas e vagas contra os dados e contra a estatística da PSP e da PJ... o que há a dizer contra 70% dos crimes são cometidos na região de Lisboa e cerca de 63% desses crimes são cometidos por uma minoria étnica? Ou que 57% das prisões em todo o Portugal são preenchidas por essa mesma minoria? Faço questão que notem na palavra minoria e que reparem igualmente que a percentagem da minoria supera a da suposta maioria. Como dá para ver com enorme clareza, não sou eu que estou a generalizar e a julgar todos por uma meia-dúzia.


Outra coisa que execro é desviarem a conversa por nada conseguirem fazer para terem razão, estou a falar de insegurança e vêm-me com coisas como esta:
-"Tu está calado (ai a censura... e eu é que sou de extrema-direita e fascista) porque se não fossem os emigrantes, Portugal não era o que é (sinto-me muito tentado a concordar) porque os portugueses (será que também são portugueses?) são uns calões e não querem trabalhar!"

Não só estão a excluir as etnias dos cidadãos portugueses, coisas que me acusam, como estão a desviar a conversa para outro "problema" completamente diferente! Se quisermos, ainda é possível interpretar a mensagem "os emigrantes só servem para trabalhar nas obras".
Mas permitam-me lembrar que Angola jamais seria o que foi e o que hoje poderia ser (mas que infelizmente a guerra civil, e não a colonial, destruiu... poderia acrescentar mais umas coisinhas aqui, mas nem vale a pena de tão óbvias que são) se não fossem os portugueses.
Mas para não dizerem que ficam sem resposta e que também eu estou a desviar a conversa:
Infelizmente estes trabalhadores não vêm para trabalhar nas obras, como se gosta de dizer. Vêm sim para serem explorados por empreiteiros, construtores e empresários (já para não falar em outras mafias) gananciosos, imorais e ávidos por dinheiro e poder. Estes emigrantes trabalham em condições nulas de segurança muitas vezes, em condições desumanas, salários por vezes ridículos, não fazem descontos para coisa alguma e, na generalidade dos casos, não têm cá a família para sustentar (com tudo o que isso acarreta) e o pouco que mandam para as suas terras é o suficiente para terem uma vida menos má. Mas aqui o crime é outro, e não é o dos trabalhadores (hoje como estou numa de salientar palavras, saliento a palavra trabalhador em contraste com a palavra parasita, se é que me faço entender). Mas ninguém gosta de ser explorado... se há quem possa arranjar outro trabalho com condições mais humanas era idiota em não o fazer. Havendo quem, devido à sua pobre condição social e financeira, se sujeite a esta escravização, claro que os "grandes" se vão aproveitar e jamais, em tempo algum, se vão privar de ter mais lucro quando há quem não imponha um conjunto mínimo exigências legítimas.


Mas isto tudo sou eu que o digo, cego pelas palas da tolice. Sou eu que quero ver o problema em vez de abrir os olhos e olhar para o meu umbigo. Sou eu que me preocupo com idiotices que não existem e que teimo em acreditar.

Já agora reparem no trocadilho do título, é que para ajudar à festa a creolina é um anti-séptico extraído do alcatrão da hulha.

domingo, junho 19, 2005

Anatídeo Bravio

Hoje cortei o cabelo (que entretanto já faz quase uma semana, porque, antes de passar para o formato digital, fui escrevendo isto num rolo de cartão reciclado, que antes era a espinha dorsal de um rolo de papel de cozinha, em jeito de livro antigo, tipo um papiro enrolado) e cada vez que corto o cabelo tenho que escrever aqui qualquer coisa relativa à ida ao baeta, quase como uma promessa, nem que seja para acrescentar algo de novo ao já descrito. Desta vez o baeta, o sôr Abílio (verdadeiro nome), deu-me a garantia de 2 meses, ou seja, se até daqui a 2 meses não estiver satisfeito com o resultado, posso lá ir e tenho direito a um corte de cabelo totalmente novo, nem que seja cortado à chapada (a garantia não cobre problemas de humidade ou problemas que envolvam responsabilidades inerentes ao cliente, tais como bossas na superfície craniana). Claro que, por si só, esta garantia nada revela visto que o último corte de cabelo aguentou-se-me 5 meses, é apenas para dar ainda mais confiança a um serviço a que já deposita total confiança, eu pelo menos confio na totalidade da arte do sôr Abílio.

Isto de ir ao baeta é muito mais que um simples cortar de cabelo, é como ir a um psicólogo (que de certa forma também é confidente), sai sempre de lá uma pessoa diferente daquela que entra. Eu, por exemplo, saio sempre de lá com a mentalidade que tinha há 15 anos atrás e sinto-me coagido a fazer o que fazia nessa altura (embora nesses tempos o agente moderador (pais) fosse maior nestas coisas, agora não acreditam que eu ainda queira fazer as coisas que não me deixaram fazer então). Para ajudar à festa, tinha na caixa do correio um panfleto dos "Brinquedos semos Nós" e lá encontrei bens de extrema necessidade. Do mais prioritário de todos que lá encontrei foi um par de bisnagas super soaker, -"e para qué que um caramelo com a tua idade precisa de bisnagas?", muito simples... porque quero, não tenho nenhumas como deve de ser (gostava de conhecer a entidade competente que regula isto do "como deve de ser") e fazem-me falta. Também lá marquei um Ferrari da Lego (o melhor brinquedo de sempre segundo a minha opinião, às tantas também compro um balde com 800 peças que também está barato (as coisas quando me fazem falta não olho a custos), uns walkie-takies (estava lá escrito assim) ninja com um raio de acção de 3 Km, um mega disfarce Batman ninja (a palavra Batman é uma manobra de "marquetingue" porque aquilo não tem nada de Batman... está é na mesma páginas que as coisas do Batman) com estrelinhas e tudo (o lança-pizzas ninja e o estojo de costura ninja estavam esgotados, mas a quinta miniatura com mémés encontrava-se, mais uma vez, disponível (com esta só uma pessoa está apta rir-se com isto, espero que se ria pelo menos um pouco, nem que seja p'la nostalgia)). Por um lado é bom porque já não tenho que pedir para me comprarem estas coisas que "muita falta fazem" (que só tinha direito a uma no Natal ou nos anos), mas por outro lado é-me muito fácil carburar rapidamente o meu pequeno pecúlio.


Retomando o tema principal, o baeta, a barbearia é um local de fortes índices de amnésia, porque, para além da discussão dos temas da actualidade (invariavelmente o "arrastão", onde se disse muito do que já foi dito e um pouco mais se acrescentou, mas não o colocarei aqui), as conversas são sempre as mesmas mas, repetem-se com o mesmo empolgo da primeira vez, porque é a primeira vez.


Poderia dizer-se que saio sempre com o cabelo à "Melro Casapiano" (jamais ousarei re-utilizar o termo "Pato-Bravo" da mesma forma que o usava anteriormente porque temo ser decepado de forma violenta e exacerbada por uso incorrecto da expressão (pronto... aqui tentei impingir uma piada que, certamente, apenas uma pessoa, por sinal muy catita, a compreenderá e saberá que é com ela)) mas até que fico com o cabelo à "homenzinho" (o coitado do barbeiro faz o que lhe é possível com uma cabeça destas). Fico mais "ache quinha" e esta é a frase que meto aqui para ocupar espaço e separar o termo "ache quinha" da verdadeira expressão, que para quem ainda não descobriu o que eu queria dizer, "à f'esquinha". Fico geralmente com menos 735 gramas de pêlo porque o corte é sempre radical, não corto o cabelo apenas para manutenção do seu tamanho, quando o corto é para cortar e para tal há que ter matéria prima para o baeta trabalhar. De um dia para o outro muita gente já me é incapaz de reconhecer, bom... mas isso acontece mesmo quando não o corto, voltarei a este tema qualquer dia e de modo bastante ofensivo.


Claro que de lá nunca iria sair muito "mátxou" (macho dito à "rapaz moderno"), para isso era preciso ir (salvo seja) ao Eduardo Beauté para hair styling e produção (aqui com estes termos novos confesso que nem sei o que estou a dizer, li-os numa revista e achei piada) e ser vestido (com esta fiz sangue nos nós dos dedos tal foi a força com que bati com eles na madeira mais rija que encontrei, pelo sim pelo não vou bater numa coluna mestra cá de casa) pelo Luís Barbeiro. O sôr Abílio é um homem sério e trabalhar, e dono de uma barbearia decente e honesta... por quem o tomam?

sexta-feira, junho 10, 2005

Pátria a Saque

- 14 polícias racistas e de extrema-direita agridem indiscriminadamente de forma bárbara e cruel jovem africana, numa praia em Carcavelos. Crianças que brincavam no local da ocorrência safaram-se por pouco.

- Invasão de privacidade por parte de jornalistas fascistas a banhistas muito bronzeados é afastada de maneira pacífica.

- Pequena manifestação cultural organizada por 500 (apenas meio milhar) jovens africanos é corrida incompreensivelmente à lei da bala e do cacete. Opressão e censura ainda existem!

- Comerciantes, polícias e presidentes de Câmara acusam africanos sem motivo. Alerta racismo!



Pronto... é deste tipo de coisas que muita gente quer acreditar que lê nos jornais. A verdade viu-se que é outra! "Esqueceram-se os tempos da ditadura quando o governo não permitia manifestações das classes oprimidas, escravizadas e teimava em manter uma sociedade injusta" e eles manifestaram-se e mostraram o que lhes vai na alma.

Eu nem procuro argumentos, não quero! Infelizmente esses argumentos a que me refiro vêm ao meu encontro e nem preciso de divulgá-los, eles divulgam-se por si próprios em primeira notícia de todos os telejornais nacionais. Senti uma revolta e uma raiva de dimensões infinitas pela minha impotência perante tão acérrimo problema. mas eu também estou alucinado com ideias que deviam ter morrido há 60 anos atrás...

Tem "piada" é todo este aparato ter-se passado no dia de Portugal (pode-se considerar até um feriado xenófobo... cuidado!) terá sido ao acaso ou foi numa de humilhar ou um atentado à nossa soberania? Isto de calar os de cá e dar força às minorias está em nítida ascendência. O verdadeiro problema é ser-se demasiado indulgente com estas gentes.

Desta vez foram apenas só 500, quando forem mais aí sim, é preciso cuidado e começar a pensar em tomar medidas. Mas não actuar, é só pensar em começar. porque não é nada de grave, este ano ainda só morreram 4 ou 5 "bófias" que bateram nos "meninos que são uns anjinhos", e para não falar nas largas centenas que ficaram feridos, alguns com gravidade. Alguns comerciantes insistiram frequentemente que estes "arrastões" são frequentes embora com grupos de apenas 50... só.


Mas há algo que me inquieta e muito. Será que os das pulseirinhas foram poupados? Oxalá que sim. Mas estou mais convicto que de nada serviram porque já sabemos quem são os verdadeiros racistas. Até sou capaz de acreditar que essas pulseiras foram atiradas ao mar em forma de promessa... não sei.
Anti-racismo está na moda, até já o foi dito num anúncio de umas pulseirinhas da concorrência.
Recordo, ainda mais uma vez, que a principal característica que distingue um racista de todos os outros que atentem contra a integridade física e/ou psíquica de outro(s) de outra(s) etnia(s) é a sua cor de pele mais clara.

Relembrando as jovens (que me obrigaram a aumentar o brilho no tuvisor para lhes conseguir discernir as feições da cara), aquando da entrevista para a televisão, que mostraram grande preocupação com as crianças que brincavam na praia quando os 14 polícias tentaram fazer frente a 500 (é preciso "tomates"), mas esqueceram-se do que os 500 seus semelhantes fizeram antes da chegada desta pequena força policial?

Pode-se dizer que não eram só marginais de origem africana (o que inclui até os descendentes dos que nasceram cá), mas os únicos ditos caucasianos nas fotografias estavam a correr à frente dos ditos "pretos".

Bom, para terminar, a única solução harmoniosa que encontro é sairmos todos do nosso país e deixar isto entregue aos "bichos". Aí eles podiam ter o "Nzingalis" (nome do país que estava nos planos de um grupo de "doutorados" (segundos palavras dos mesmos) que pretendiam criar um Estado, cujas fronteiras, a Sul, chegariam a Sesimbra/Setúbal, a Este, a Benavente e Cartaxo e, a Norte, às Caldas da Rainha e Rio Maior. No seu interior ficariam, naturalmente, Lisboa, Cascais, Sintra, Setúbal, Almada e Torres Vedras. "Ainda por cima são finos os gajos". De recordar que o SOS Racismo prontamente acusou os de extrema-direita de terem criado a página com a mensagem, demonstrando que não acreditam que certas criaturas tenham capacidades para tão engenhosa artimanha) e nós não levávamos com aquelas palavras acusadoras que não se podem dizer para não ferir susceptibilidades e melindrar idiossincrasias.


Isto até é muito perigoso para outros africanos e seus descendentes (e outras etnias) que se encontrem no nosso país porque serão olhados como criminosos e marginais, que não são. Pois também eles são vítimas destes actos criminosos e com a agravante de serem vistos como um estereótipo de culpado. É igualmente importante não confundir marginais e criminosos com etnias e emigração embora estejam muitas vezes relacionados, também há gente boa. Também volto a salientar que não sou racista, tenho amigos de várias etnias e sublinho a palavra amigos pois não são meros conhecidos.

Eu tinha já outras ideias para outro post, um menos mau e polémico, mas fui previsível e escrevi este que piada não tem nenhuma. Poderia até desenvolver a ideia de um comentador que referiu a compra de material roubado e vendido em feiras e afins, uma forte forma de patrocinar o crime (se não houver comércio para estas coisas estou crente que os assaltos iriam diminuir um pouco), mas não o vou fazer para não tornar este post maior. Mas agradeço todos os comentários, sem nenhuma excepção.

terça-feira, maio 24, 2005

Anamnese Pueril

Recentemente, durante o pequeno-almoço, vi circo na televisão. "Já há algum tempo que não vejo circo", lembrei-me. Rapidamente recordei-me porquê. Acontece que, quando era pequeno, a coisa pela qual mais ansiava ver no "maior espectáculo do mundo" (que é um bluff (nunca compreendi muito bem esta palavra)), era pela entrada dos leões e/ou dos tigres em cena. Não tanto pelo número em si, mas pela possibilidade de os bichos se virarem ao "domador", um "artista" todo gingão que geralmente se apresenta com vestimentas bastante "leves": cores "leves" em perfumadas (com perfumes chineses à base de álcool em que apenas a embalagem tenta imitar um qualquer produto de marca, geralmente quem usa estes "perfumes" cheira, como se diz em linguagem de fadista, a "putas") camisas "leves" apinhadas de lantejoulas, calças de cabedal e botas em bico, ambos igualmente leves. O cabelo, à galã de tasca, apresenta-se cheio de laca com brilhantes e com uma enorme poupa a tentar assemelhar-se, de forma reles e barata, com a do Rei (Elvis, para os pobres em cultura) nos seus anos de ouro.

Tanto aparato quando afinal os bichos vão, para aquilo que devia ser a arena, já alimentados... bolas, assim também eu! Quando soube desta triste realidade fiquei de tal forma desiludido que julguei que toda a vida não passava de um embuste. Foi um estalo de angústia tal só equiparável ao recebido quando, aos 15 anos, fui confrontado com a inexistência do Pai Natal. Tamanhos desprazeres tenho eu sentido ao longo da minha curta vivência...

Era de esperar que, a receber as famintas feras, estivesse uma figura sinistra com um seboso cabelo farto em caspa, com uma vista vazada, uma perna mais curta que a outra (conferindo-lhe um certo e desajeitado mancar), dois buracos numa testa completamente desfigurada (consequência de uma prensagem por abocanhamento violento), ombro irreversivelmente deslocado, jardineiras de talhante com botas de borracha (usadas para jardinagem ou para cavar em valas) como farda, emanando um intenso e fortíssimo cheiro a mijo que agoni(z)ava toda a tenda, cheiro intensificado pela elevada temperatura que se fazia sentir. Cheiro esse provocado por uma incontinência já antiga, efeito retardado de uma ferida não devidamente suturada, resultado de uma patada abrupta na zona das virilhas sofrida há uma década atrás.

Este subjugador de bestas (o autêntico domador em toda a extensão da palavra), era forçado a entrar numa redoma em acrílico (não só não poderia trepar, como o sangue esguichado, que já não ia para à plateia, se tornava mais fácil de limpar), ao invés das grades de encher o olho ao pagode.
Teria de dominar as bestas durante singelos 15 minutos (mais ou menos o tempo que dura o Bolero de Maurice Ravel) para não saturar ninguém, bom... melhor dito, tinha que, penosamente, aguentar 15 espinhosos minutos sem ser dominado, para não ser violentamente mastigado, esquartejado e fustigado num festim medonho, num acto de carnificina horrenda e nauseante para todos os presentes, menos para os intervenientes como é óbvio.

De resto não há mais nenhum outro número onde os "artistas" se possam aleijar, o que é pena pois isso é que dá emoção e espectáculo, cada actuação era uma actuação diferente da anterior (não só pelas caras diferentes), era uma actuação onde se entrava em cena como se fosse a última vez. Por detrás das cortinas havia circenses despedindo-se das respectivas famílias em prolongado choro de comoção e saudade. Em cena, entravam vivos 25 e apenas regressariam 18 (num circo com gente experiente), sendo os outros recolhidos com pás para a neve e colocados em sacos de plástico pretos. Numa constante predadora roleta russa.

Mas nenhuma destas belezas do verdadeiro mundo do espectáculo acontecem, ora vejamos:
- os trapezistas, com rede à maricas, se caírem recebem palmas (como isto vai meu Deus... fazem asneira e em vez de pagarem a asneira com a própria vida não, ainda são aplaudidos) e tentam outra vez.
- no malabarismo já não usam objectos que lhes cortem as mãos em caso de erro, nem fogo... nem vale falar sobre o que é óbvio para todos, uma farsa!

Talvez deposite alguma esperança nos palhaços, considero mesmo que seja a actividade de maior risco no meio desta fantochada toda, não só pelas pinturas com tintas cancerígenas ou das atrocidades cometidas pelos mais novos (alguns depois vingavam-se mas esses neste momento estão do mesmo lado do tio Carlos, do menino Marçal ou do sr. embaixador se é que me faço entender), mas pelo seu elevado grau de depressivísmo. Estes, mesmo que tristes e deprimidos, têm que entreter e fazer rir a horda, aparentando sempre boa disposição. É terrivelmente desgastante e pode originar ideias destrutivas e suicidas.


Já me ensinou o meu avô: pimenta no cu dos outros para mim é refresco!

Por falar em feras... ontem (que quando escrevo isto aqui, já passaram uns dias) de manhã acordei acordei com as seguintes palavras vindas da janela do quarto: "Stallone, anda cá Stallone, deixa isso Stallone!"
Deveras intrigado, abri de imediato todo o estore (apesar de estar completamente nu, e com a jamba a 5cm do chão), para apaziguar a minha incessante curiosidade. Esperava eu ver um Mastim Napolitano ("Esta corpulenta e imponente raça teve origem em Itália durante o império romano, onde o próprio Júlio César reconheceu nele um poderoso cão de guerra ou para a arena junto com os gladiadores. (...) Nasce com cerca de 500g e aos dois meses tem já uns surpreendentes 12kg! Atinge o peso máximo por volta dos 3 anos onde precisa de comer cerca de 3kg de ração por dia, o dobro de um Rottweiler.", "Como dissuasor de criminosos, o Matim Napolitano é do mais perfeito que um cão pode ser. A sua aparência intimidadora, quer seja a cabeça quer o corpo, sugere um potencial de brutalidade sem precedentes e, enquanto que pode ser extremamente dócil com os membros da família e amigos, esta brutalidade pode facilmente tornar-se efectiva se a casa ou os donos forem ameaçados seriamente.") de volta de um homem inanimado e ensanguentado estendido por várias partes do chão. Qual não é o meu espanto quando, após ter passado a fase de encadeamento e o sangue ter voltado ao cérebro (isto de me levantar depressa tem desvantagens), vejo uma madame de idade, com uma pequena trela numa mão repleta de pulseiras de pechisbeque, atrás de um Yorkshire Terrier (daqueles muito anões e de pêlo comprido, laçarote lilás entre as orelhas, risco ao meio ao longo do corpo e com um temperamento de "só ao pontapé") que teimava em cheirar a "merda" dos outros cães, perdi logo toda a minha vontade de fazer o trabalho que tinha para fazer naquele dia... ai eu antes também não tinha vontade...? Ah... ai agora sou mentiroso é? Ah! Então sou calão é isso...?


Passado uns dias de ter escrito isto num papel de pastelaria (não foi de pastelaria porque é um papel ordinário e a tinta não agarra, mas podia ter sido), tive um encontro imediato com a fera, o Stallone. "Anda cá Stallone" e o corno em vez de ir ter com a dona (que por sinal não era velha (mas a descrição até assentava bem para dona do cão), mas sim uma rapariga moderadamente nova e que necessitava de uma cadeira em madeira maciça com 2 metros de largo para se sentar com um mínimo de conforto e segurança), a bola de pêlo infernal (bola... para mim uma bola é para dar pontapés, o mesmo se aplica aqui neste caso mais pontual) vinha lançada na minha direcção, com o nítido objectivo de me atrocidar uma perna ou duas (quem sabe três). Valeu-me um dos muitos carros que estavam estacionados ali por perto e para o qual subi, safando-me da investida. Temi pela minha vida, confesso que vi a Morte a cruzar-se à frente da minha vista.

segunda-feira, maio 23, 2005

Facciosismos Hodiernos

Vou fazer um breve relato a algo que já era para ter escrito há mais tempo. Um breve relato e uma pequeníssima critica a uma impostura de uma marca de produtos desportivos, chamemos-lhe "naique". Falo da comercialização (envolve lucro) de umas pulseirinhas anti-racismo quando são eles, a "naique", os maiores racistas. Inúmeras fábricas em países de mão de obra ultra barata (numa certa forma de escravatura moderna, não só pelos parcos ordenados mas também pela tratamento sub-humano dado aos trabalhadores) que "dão trabalho" a muitas crianças.

A amnésia selectiva é traiçoeira a este ponto, há uns anos atrás toda a gente fez um boicote aos produtos "naique" com "made in indonesia", embora o boicote fosse mais na palavra porque os produtos continuaram a ser vendidos, mesmo assim mudou-se para "made in taiwan" ou "made in china" e já ninguém se preocupava apesar do problema continuar precisamente o mesmo mas com outro nome. Tal como aconteceu com os produtos americanos no inicio da invasão ao Iraque, à tarde estava tudo no "máque dónaldes" a comer "burguéres" e a falar da guerra como que fala de futebol, apesar de na guerra morrerem pessoas e a liberdade (e tudo o que ela engloba) ser violada.

Mas não é só pelo referido anteriormente que considero a "naique" uma marca extremamente racista, quem são os grandes adoradores da "naique" e para quem é dirigido grande parte dos seus produtos? Exacto... os "pretos" (que inclui, como é óbvio, quem se faz passar por eles).
Raras foram as vezes que não vi o símbolo da "naique" descolorado numa qualquer carapinha enquanto esperava p'lo autocarro no Campo Grande. Não obstante da última que vi, nas imediações do CC Colombo, ter um puma dourado.

A pulseira só tem o branco e o preto... e então o amarelo, o laranja, o vermelho, etc.? São raças desprezáveis? Ou porque a "émetivi" só passa "sons" (e não música portanto) de propaganda anti-caucasiana e pro-nharro? Se fosse o vice-versa era racismo... claro!

É um dado curioso, a palavra "racismo", como já foi muitas vezes dito não só por mim mas por muita mais gente, significa, sempre, caucasiano que dá mostras de hostilidade face a um grupo social ou étnico e jamais o contrário, quando é o contrário que ocorre com uma frequência infinitamente superior. É de notar que quem usa estas pulseirinhas, fá-lo por uma questão de estar na moda, por uma questão simplesmente estética e não pela causa que supostamente representam e pela qual estão à venda. Quando o Papa João Paulo II morreu, criaram-se legiões de fãs que nunca ligaram ao Sumo Pontífice, gentes que dançam com o pecado, subitamente ficam sensibilizadas com o desaparecimento do chefe da Igreja Católica. Todos se querem mostrar, mostrar que estão com a "causa". Venderam-se objectos profanos com a sua imagem, desde camisolas até isqueiros.
A "naique" vende pulseiras "anti-racismo" e toda a gente quer ser "anti-racista", "anti-xenófoba" e "anti-semita", contradizendo-se a si mesmo e dando lições de falsa moral, moral de ocasião. Com a "émetivi" a ajudar, qualquer dia temos grupos de brancos com ódio a brancos e a quererem ser sodomizados por turras. Isto é à lá Amélia vai com as outras: "os jogadores da bola também têm e é fixe!"

Para quê estas formalidades quando o conteúdo é vazio? Se querem mesmo ajudar, se é essa a verdadeira intensão, há bastantes instituições credíveis para aplicar e distribuir fundos. Gastar dinheiro para "combater" o racismo quando há fome e doença, parece-me a mim, que não sei o que digo como já me foi dito tanta vez, um problema de prioridade reduzida e insignificante.

"Um euro dá para alimentar uma família em África durante dois dias, faz como eu, compra uma pulseira anti-racismo da "naique" e deixa os pretos morrerem à fome."


Toda a gente associa o nacional-socialismo às atrocidades de Hitler, mas porque raio ninguém faz o mesmo com os dirigentes políticos da ex-URSS, China e Coreia do Sul e não associa os campos de concentração, que também os tinham e em maior número (e pelo que sabemos não eram mais meigos que os outros, onde muitas pessoas eram fuziladas e obrigadas a trabalhar até à morte), ao comunismo? Ninguém fala nestes crimes contra a Humanidade? Os Nazis fizeram o que fizeram para proteger o seu povo e tentar dar-lhe um melhor mundo, os Comunistas até os da própria ideologia perseguiam. Depois, esta mesma gentinha vê o XXX: Estado Radical, Constantine, etc., vê o Downfall e, cheia de argumentos e razão assente em pilares de conhecimento em História (claro), solta comentários impensados pela boca fora. Com estas minhas palavras é claro que não estou a apoiar o Hitler (como certamente já me iriam "acusar", porque há sempre gente "responsável" e "crescida" disponível para acusar os outros).


Depois de ler variadas notícias das intenções de 90% dos emigrantes que para cá vêm (mendigar, roubar, prostituir, traficar etc.), não me custa nada dizer, sabendo que já com os de cá temos extremas dificuldades e escassez de recursos para os controlar, "não quero cá disto!"

Se vêem para cá para começar uma nova vida, terem uma nova oportunidade, baseada e fortemente inspirada na seriedade, na honestidade e na vontade de trabalhar e recomeçar, não descubro qualquer tipo de problema, até apoio e vejo com bons olhos a sua vinda, desde que o número seja devidamente controlado para garantir condições de vida para todos e porque tudo o que é concentração em excesso torna-se poluição, há que saber encontrar o equilíbrio.


Para terminar o meu post e para demonstrar, ainda mais uma vez (nunca é de mais repetir estas coisas), que não sou racista, aqui vai um pequeno classificado e pedido de um jovem de origem africana:

"Mê nome é Bilau Mamila, i fói numa tardi di calõ qui ti cónheci.Para meus olho tu num eras más qui uma péquena códernis julgando sér pavão. Fómu pá retreti do tasco de ti Jaco e tu mi dissesti bonitas palavra di amô: "Ui... que dotadissímo!" Quéru ti di vorta!"

Ignorar, rejeitando cruelmente este apelo do coração, é grave! Isto sim, seria um acto do mais puro dos racismos! E nós não queremos cá racismo, pois não?