segunda-feira, janeiro 01, 2007

Persona Mundu

Perguntei-me a mim mesmo várias vezes e ao longo de uma ternidade (só não foi durante uma eternidade porque não sou eterno, logo foi durante uma ternidade, não tenho culpa que os dicionários ainda não tenham a palavra), qual será o homem mais culto do Mundo? Que entidade terá um tão vasto e profundo conhecimento das coisas e do Universo que lhe confira este título?

Pois bem, se vos inquieta a mesma dúvida, não se chaguem mais na busca da resposta... só pode ser um o escolhido: Eládio Clímaco

Este homem narrou tantas horas de documentários televisivos que seriam precisas duas vidas inteiras para os conseguir ver a todos de seguida. Tem uma sapiência tal que nem o mais instruído e marrão dos catedráticos o poderia superar.
É poético o contraste entre a violência visual explícita do festim sexual de uma numerosa "sociedade" de Bonobos com a delicadeza e romantismo do discurso do orador.

Chamo-lhe homem no sentido figurativo porque está muito para além disso, é um cavalheiro à antiga, de uma extrema cortesia e educação. Quem nunca se inspirou na sua galante lábia para abordar a elegida? Eu já e nunca resultou...


Mas ainda há uma arma secreta para arrasar a concorrência (os que arrumam livros nas bibliotecas ou os tipógrafos podem ser um exemplo válido). Um trunfo com poder de fogo inigualável, o Eládio Clímaco possui um curriculum invejável (diria mesmo inalcançável) de anos a apresentar os Jogos Sem Fronteiras.

Que saudades de ter a família toda reunida a assistir aos Jogos Sem Fronteiras que até tinham direito ao Hino da Eurovisão?

Momentos de pura magia e arte vinham daquela caixa que naquela altura ainda transmitia (apesar da "culpa" ser do tuvisor) a preto e branco em muitos lares portugueses...

Isto da televisão a preto e branco tem várias implicações: a mais óbvia é que sou um ser já meio antigo e datado a ponto de ainda ser do tempo da televisão a preto e branco (é uma Era perigosamente perto da Era pré-electricidade) e a menos proeminente (porque muitas vezes não se dava por isso) era estarmos a torcer pelos espanhóis e a festejar quando um português se escalavrava todo nas bordas de uma piscina convencidos que estávamos que era de um espanhol que se tratava.

Mesmo assim Portugal é o segundo país com mais vitórias nos Jogos Sem Fronteiras com 5, precedidos da Alemanha com 6. Os espanhóis, até mesmo com alguns portugueses a torcer por eles, apenas conseguiram uma vitória. E depois Espanha é mais desenvolvida que Portugal... haja paciência.

Lembro-me do nome dos Juízes Internacionais, o Gennaro Olivieri e o Guido Pancaldi, mas não me lembro do "homem do apito": "Atoncion! Demi, pré?" e o homem lá dava início à prova.


Claro está que ser o mais culto do Mundo não faz dele o mais respeitado e admirado do Mundo. Refiro ao nosso tão querido Júlio Isidro. E digo nosso porque todos nós temos um cantinho especial no nosso coração guardado para o Júlio Isidro (desde que descobri que ele é meu vizinho em Almoster que vou para lá sempre com a esperança de me encontrar com Sua Magnanimidade).

Se houvesse um combate entre o Júlio Isidro e Eládio Clímaco, apostaria toda a minha fortuna no primeiro... o juiz desta partida única seria certamente o Nicolau Breyner e a menina da placa com o número do round só poderia ser a grande Rosa Mota. E digo única não só pela singularidade dos atletas de elite em causa, mas por ser um combate até à morte, como os gladiadores no Circus Maximus. Não pela mera crueldade do espectáculo, mas por imposição da lei da sobrevivência imposta pela cruel Natureza. A Terra é pequena para a coexistência destes dois titãs.

O hino de entrada na arena ainda não está dado como certo, mas possivelmente será um épico do Avô Cantigas ou dos compositores da música da Rua Sésamo.

sábado, outubro 21, 2006

Baccalaureu Monarcha

No Domingo passado almocei bacalhau cozido com grão.
Se na Terça-Feira não tivesse jantado favas com entrecosto, certamente que hoje já estaria na fase terminal de uma recuperação, cuja terapia, tem na comida da cantina os seus alicerces mestres.

Como almocei e não apenas comi, implica que no prato, juntamente com uma generosa posta de bacalhau (esse espantoso mamífero que habita as vastas planícies tropicais da Noruega), acompanhada de um frasco de grão, estaria uma bela malga de cebola, alho e coentros. Implica igualmente que todo o processo de vitaminação não poderia demorar menos de uma hora. Como estava com alguma pressa, os outros presentes só comeram e não almoçaram (passando em claro o saborear da dádiva dos deuses), almocei em apenas uma hora e dezassete minutos. Imperdoável. Podia dar-me alguma congestão por almoçar tão depressa, e ter que comer macrobiotica para o resto da vida. Irra... antes ter amigos pretos (tenho a absoluta certeza que, apesar de estar a dizer explicitamente que gostava de ter amigos de origem e cultura africana, virá, algures das profundezas infernais mais refundidas, alguma alminha só para me dizer que foi um comentário racista, vai-se lá conseguir compreender gente tão mesquinha).


Mal dei a última garfada, fui invadido por uma soneira daquelas que só me dão em aulas notavelmente massadoras (cheguei à conclusão, até ilações contrárias, que se trata de um novo tipo de jetlag, em que tudo ocorre por ordem inversa. Primeiro fico com o sono trocado e só depois sinto que estou noutro local com um fuso horário diferente daquele a que o meu relógio interno se havia habituado, acordo, abrindo os olhos des-sincronizadamente tentando convencer-me que nem sequer cheguei a adormecer, sem saber bem aonde e quando estou a fazer o quê, processo acompanhado por baba até aos queixos).


Derreado por uma refeição demasiado copiosa, abandonei-me às delícias duma sesta tão reparadora como imprudente... acordei com aquilo a que se chama de mau feitio (estrondosos choques atmosféricos provocados por diferenças de pressão normalizadas abruptamente).

Para aperfeiçoar a situação, que por si só já tinha bastante de excêntrico, notei que estava com hálito a alce (que como todos sabem é o macho da rena). Daqueles que puxam o meio contentor pré-fabricado (uns chama-lhe trenó, mas trenó é um nome meio afifizinhado de origem francesa) do pai natal verdadeiro. Esse velho bêbado, careca e tarado por crianças. A comunicação social é que adultera e corrompe a realidade, como sempre o faz com tudo, no sentido do maior lucro em publicidade. Propaga uma boa imagem desta sinistra entidade que passa um ano presa e mal sai em liberdade condicional é logo apanhada a aliciar crianças... e ainda há o descaramento de se transmitir tudo na televisão como algo de muito bom e positivo, provocando grande entusiasmo entre os mais pequenos. Como se não bastasse toda a divulgação em torno da coisa, também os pais incentivam os filhos a aceitar este malfeitor em suas casas - "Se não te portas bem o Pai Natal não te traz prendas". Não deveria ser ao contrário? "Olha que se voltas a meter mais uma vez o sacana do gato pendurado no estendal, comes um par de estalos (é coisa de se comer, porque almoçar um par de estalos era bastante mais demorado e aborrecido, com burocracias penosas para ambas as partes envolvidas) e chamo o Pai Natal cá a casa para ele te trazer prendas. É isso que queres? Depois não te queixes que ele te senta de barriga para baixo". As alternativas usadas até agora não têm sido, pedagogicamente, as mais correctas. Estar sempre a usar a entidade "o velho" ou "o polícia" só faz com que não se fique indiferente a estas duas distintas figuras, especialmente quando apanhamos os primeiros a conduzir em contramão na autoestrada porque se confundiram com o caminho.

terça-feira, setembro 19, 2006

Sacrificiu di Pixe

Fui à pesca.

Já se sabe como são estas coisas de ir para a pesca. Mas, para quem não tem ideia como é um dia normal de pesca, vou deixar aqui o breve relato de como tudo se passou.

E digo normal no sentido de "não-homossexual", que é como quem diz, ir para Belém às dez da manhã num Domingo de Sol ameno.

Éramos vinte homens e fizemo-nos ao mar, a partir do Cabo da Roca, às duas da manhã. A forte chuvada que se fazia sentir, já permitia adivinhar que nem tudo poderia correr bem, como seria desejável. A traineira, Virgem Santíssima Dos Milagres, tornava a concentração necessária para a pesca (concentração para se pescar apenas o peixe graúdo e não apenas coisa miúda, um puro maxú pescador tem ao seu alcance tal faculdade para pescar o peixe pretendido, bastando concentrar-se a olhar para a bóia. Consegue discernir o tamanho do peixe e escolhê-lo apenas com o pensamento.) algo complicada devido às violentas oscilações inerentes ao seu pequeno tamanho em tão agitado mar.

Achámos por bem cada um meter um cinto de chumbo à cintura para estabilizar a embarcação. Este procedimento é em tudo idêntico ao daqueles franceses, o Thierry Beille e a Corinne Gaspar a bordo do trimeran Intermezzo, como só meteram um tripulante com cinto, quem o tinha, tinha que estar atado ao centro da embarcação. Isto para evitar que ele andasse solto de um lado para o outro, seria pior a emenda que o soneto (nunca percebi esta expressão "pior a emenda que o soneto", estou aberto a explicações). De outro modo não compreendo a necessidade de atar as mãos a um homem e meter-lhe chumbo à volta da cintura. Os sinais de violência física, não o são. Trata-se apenas de pequenas porradinhas técnicas para homogeneizar a irregular distribuição mássica do André Le Floc'h. Estes franceses só comem porcarias, ficam anafados e depois queixam-se quando é preciso fazer um insignificante esforço físico.

Como, apesar dos esforços, o dono do trimeran não ficou calibrado, o veleiro acabou por se virar.

Continuando...

Com o barco estabilizado, há que pagar ao Deus dos Mares para que Este abençoe a nossa pesca. Não é um deus qualquer, é um deus à antiga, que exige sacrifícios. Por isso mesmo um dos tripulantes da traineira, embora desconhecesse a sua finalidade, não era mais que uma oferenda ao deus Aphyosemion, um deus cuja era de hegemonia foi o Cetáceo.

Degolámos o convidado de menos confiança, alguém capaz de ver um porco valente a ser assado num espeto e optar por comer um hambúrguer, por mero exemplo. Seguiram-se as rezas deste ritual:

"Ah pêxe dum queabrão, estais fedidos filha da putha!" Disse o sacerdote Paulinho enquanto olhava para o mar com um sorriso vidrado de gozo e satisfação.

E atirámos a oferenda ao altar, o mar, como se de engodo para peixe se tratasse.

Apenas sobraram as orelhas, que as havíamos guardado como isco para serem colocadas no anzol posteriormente.

"Agora com o ritual concluído é só apanhar peixe", pensámos.

Ao que parece a oferenda não foi do agrado de Aphyosemion. Sentiu-se bastante lesado e enrolado com esta troca, deste sacrifício em particular por peixe, e foi a partir deste momento que o divino castigo começou...

Dois acabaram-se ao mesmo tempo. Um cuja mulher tinha dado à luz gémeos mulatos, quando ambos os pais são brancos a ponto de se lhes verem as veias e artérias na cara e nos membros, e outro cuja vizinha tem um miúdo que está a ficar parecido com ele, vizinha essa que está casada com o padeiro. Despediram-se do resto da tripulação, foram comprar tabaco e nunca mais voltaram ao barco (estranho é que nenhum dos rapazes fumava).

Um outro meteu a cabeça dentro da água do mar a ver se via algum cardume de tamboril (tinha uma visão muito apurada) e acabou colhido por um espadarte que lhe confundiu a cabeça com um melão, e todos nós sabemos que o espadarte é doido por um bom melão.

O seguinte ainda tentou agarrar o anterior pela cintura para o salvar, mas levou um chuto à Kikin Fonseca no "assunto", perdeu os sentidos e também caiu borda fora. Antes extinguir-se no oceano devorado por uma fera do mar a ser agarrado pelas ancas por outro homem.

Outros quatro lançaram-se à água para apanhar um búfalo marinho (como qualquer homem minimamente homem e que se diga homem sabe, quando alguém se atira ao mar para apanhar um peixe à mão, não o tem que dividir pelos restantes membros da embarcação, pode ficar com ele todo ou repartir por quem o seguiu). Para não estarem armados em finos com esta técnica de "não-partilha", mudámos a rota e eles lá acabaram por desistir de dar aos braços e entregaram-se ao infortúnio da vastidão marítima.

Sete lançaram-se, mais uma vez, em busca do peixe para "não-partilha" e tiveram um fim curioso. Então não é que uma baleia azul os confundiu com bóias do ZooMarine de Oliveira de Azeméis, onde tinha estado encarcerada perto de vinte anos de forma ilegal? A marota, no engodo de receber uns amendoins lançados pelas crianças para a água, tal como lá no ZooMarine de Oliveira de Azeméis (até nisto se vê a crueldade destes parques aquáticos... toda a gente sabe que quem come amendoins é a foca, não é a baleia... cambada de bárbaros) lançou-se a toda a velocidade, nadando para a superfície como se de uma prova olímpica se tratasse. Abanando a sua cauda freneticamente e com desmedida ferocidade, avançou com um ímpeto impressionante e deveras assustador.

A graciosa criatura do Cetáceo (considerada filha de Aphyosemion, e referido muitas vezes como "cetáceo" numa evidente mistura absurda entre ciência e teologia) de quatrocentas e dez toneladas, surgiu à superfície quase na vertical mostrando os seus quarenta e sete metros, virou-se de costas para, em cima dos surpresos e incrédulos pescadores (vistos como meras bóias), fender as ondas com um impacto ensurdecedor, podendo mesmo ser visto como um enraivessido bramido de Aphyosemion. Caiu uma intensa chuva de salpicos por mais de doze minutos.

O último a findar-se, só porque pescou um golfinho bebé para dar gosto à salada (fica melhor que pimentos, para acompanhar sardinha assada) foi trespassado por um arpão lançado de um barco desses selvagens da Green Peace. Primeiro proíbem-nos de apanhar cachalotes que a tanto esquimózinho matou fome, agora isto. Não há direito...

Estranhamente não foi avistado nenhum tubarão. É costume neste tipo de tragédias aparecerem sempre tubarões para "acalmar" os ânimos dos mais agitados... acalmam os ânimos, as pernas, depois os braços, um bocado da bacia, uma omoplata, hande-soy-óne...

Acabámos por sobreviver só três, eu, o Zé o Grande e o Paulinho.

Eu não me perdi na imensidão dos oceanos porque o Zé o Grande me prendeu pelos pés, na parte de fora da pequena embarcação, convencido que todas as vezes que fui à água era em busca do peixe para "não-partilha" (muita gente estiola-se com este tipo de pesca, pode-se dizer que é a mais perigosa).

O Zé o Grande porque foi o que tinha dado mais pelo aluguer do barco (deu um garrafão de vinho lá da terra, apanhar e pisar a uva custa) e não estava ali para sair a perder.

Finalmente o Paulinho porque não sabe fazer contas. Se somarmos os que morreram e os que sobreviveram não dá os mesmos que entraram dentro do barco (não sei bem em que medida é que isto o salvou, mas que o que é importante é que ele se esquivou da morte). Talvez tenha sido da lenga lenga, que repetia incessantemente, lhe tenha evitado o mau olhado: "Ié ié ié Alfama é que é! Schupa..."

Finalmente após apearmos o barco em porto seguro, decidimos ir assentar ideias e reflectir sobre o sucedido para perto de uma barragem (a qual abandonámos junto das oito da noite, e não antes das três da tarde, isto aonde nem sequer a água estava morna e nem eu de fato de banho, já para não falar na densidade de população feminina com ar entre o "Muito" e o "Bastante" saudável que lá nos poderia prender). Para tentar esquecer tudo o que sucedeu de menos agradável, fomos para Torrão, próximo de Alcácer do Sal.

Espero que este relato não interfira com o tratamento psiquiátrico que os sobreviventes estão a ter, ao recordarem tudo pelo que passaram e sofreram. Felizmente sei manter um afastamento saudável disto dos traumas e não preciso de ser acompanhado. O Zé o Grande nega tudo o que se passou, ficou meio apanhado com a coisa com certeza.

As poucas memórias que os outros dois sobreviventes ainda mantêm, estão escritas a partir daqui.

Ainda não eram sete e meia da manhã e estavámos a comer uma bifana e a beber um small laranja f'esquinho, enquanto o resto dos choninhas do café bebiam uma meia de leite com uma torrada seca sem manteiga (já comi torradas secas e tinham manteiga). Lá seguimos para o local de pesca, desta vez com os pés em terra firme e sem sobressaltos.

Curiosamente, o menos experiente nestas andanças, eu, apanhou o peixe maior. O seu tamanho ia quase de margem a margem, só o deixei ir porque não cabia no carro e era um incómodo trazê-lo.

No fim pesei quase oitenta quilos de peixes (a balança marcava em potências de 10). Para grande parte nem foi preciso isco. Foi só lançar o anzol com uma chumbada e o peixe mordia na mesma.

Dei por findado o atribulado dia de pesca.

Com isto tudo se pode concluir que tanto o espadarte como a baleia são ambos peixes meio vesgos. Já vários charlatões afirmaram que a baleia é um mamífero... coisa mais estúpida! Vamos lá encarar os factos: se nada e vive dentro de água, é peixe! Tal como tudo o que voa é gaivota, quer seja uma abelha (por isso não há que ter medo de abelhas, não passam de gaivotas recém-nascidas, são inofensivas. Quem é que tem medo de gaivotas? O único perigo que uma abelha adulta/gaivota matriz (ou gaivota gaivota se quiserem, a gaivota original como muitos leigos a conhecem), representa para a Humanidade é quando estamos deitados à beira mar e aos olhos delas, não passamos de cadáveres que deram à costa. A gaivota, como necrofago reconhecido que é, começa a depenicar-nos os olhos, nariz e os ouvidos, certas que estão de se tratar de um corpo pálido e inanimado, inchado pelos gases da decomposição interna que no nosso âmago ficam retidos (por fora estamos conservador pelo sal da água do mar). Conclusão, apenas os gordos são atacados por abelhas (por ridículo que pareça, na imagem mental das gaivotas, são idênticos a cadáveres inchados). Nunca se viu nenhum recordista, daqueles que carrega quilos de abelhas agarradas ao corpo, gordo, pois não? E os gordos tinham vantagem por terem mais área para as abelhas se agarrarem.), um morcego ou mesmo um macaco que caia desamparado de uma árvore, são gaivotas. Apenas os animais terrestres têm duas categorias: ou são porcos, ou são cavalos. Acho, embora não tenha a certeza, que há quem esteja convencido que os pinguins existem... Lamento informar que não passam de um mito fantasiado pelos tótos dos computadores.

É importante esclarecer as pessoas.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Alguma Terminologia Biológica

Há várias maneiras de nos sentirmos vivos. Algumas requerem métodos avançados e exigências muito específicas para obtenção de resultados.
Não é minha intenção neste post falar sobre as várias alternativas de sentir o fluxo da vida.


Uma das mais eficazes porém, é estar a ver o filme "A Mosca" com a mesma atenção e concentração que dispus quando vi o filme pela primeira vez em 1989 (o filme estreou-se em 1986 mas só deu no tuvisor mais tarde). Só isto claro que não chega... é preciso levar com um besouro na bochecha direita no preciso momento em que a personagem interpretada pelo Jeff Goldblum (o cientista Seth Brundle), espreme as unhas contra o espelho. Este improvável sincronismo só não me fez soltar águas régias porque esse procedimento já tinha sido feito de forma controlada momentos antes. Provavelmente foi aí que a existência extraterrestre entrou dentro de casa (em Almoster a retrete é quase exterior). O que me faz uma certa confusão, é o motivo que levou o besouro a ter embirrado comigo... não sou propriamente um candeeiro aceso para ele ter ficado fascinado com a minha presença.

Foi pena na altura, não ter conseguido saborear essa adrenalina que é sentir-me vivo. Estava mais ocupado a esgrimir no vazio contra o inimigo invisível do que a ter pensamentos filosóficos.

Como é sabido de todos (é tão óbvio que quase que nem merecia a pena escrever o que lá vem, mas como há muito ignorante a ler isto (daqueles que vão comer a rodízios e saem de lá satisfeitos com as "ricas saladas", irra! rodízio é carne), é preferível cultura a mais que a menos, o meu blog existe para isso mesmo, iluminar os pouco iluminados), o besouro é criatura da família Pterygota Neoptera Coleoptera que muitas vezes é confundida, erradamente, com a espécie Gran Cornutus da família Homo Filha da Putissis.

Estes últimos, os Gran Cornutus, têm a particularidade de nunca morrerem, daí a confusão com o escaravelho do Egipto (o besouro é tão parecido ao escaravelho que ninguém reparou que os troquei, repudiados que estavam a olhar para estas criaturas).
Refiro-me àqueles escaravelhos que fazem bolas de esterco (com uma larva sua lá depositada) e que os antigos julgavam imortais. O Gran Cornutus não tem nem a amabilidade nem a delicadeza de morrer e é constituído da matéria das bolas que os do Nilo constroem como incubadoras.


Estou certo que se o apanhasse à traição, tal como ele fez comigo e com 75% dos alunos inscritos na cadeira, no último teste de Sinais e Sistema (repare-se como consegui mudar engenhosamente o sentido do texto e ainda omitir habilmente a quem me refiro), e o apunhalasse 88 vezes, ele jamais morreria. É tão falso que mesmo que o cortasse em porções de 370 gramas cada, e destruísse cada uma delas de diferentes maneiras, é garantido que no dia a seguir a besta estaria em pleno exercício das suas funções.

Não há volta a dar-lhe. Mesmo assim apresento, por mero registo histórico (não faço ideia porque é histórico, mas cá vai na mesma), algumas das hipóteses que me pareceram viáveis para tentar eliminar e suprimir os produtos do esquartejamento do "soutour": Contaminar a malga, do que se assemelha a carne, com ébola; Derreter com ácido; Triturar,misturar com álcool e puxar fogo; Transformar em produtos anti-rugas para chinesas gordas e transpiradas; Fibra para recauchutar pneus; Transformar em acendalhas para lareira; Fabricar esponjas de banho para partes púbicas de pigmeus. Enfim uma infinidade, limitada pela quantidade de matéria disponível, de tentativas frustradas.


Trata-se, com toda a certeza, de uma linhagem de uma extraordinária pureza da espécie. Infelizmente, tais apuramentos, pelos processos consanguíneos que envolvem, acarretam alguns problemas genéticos. Ao fim de algumas gerações, os indivíduos, por terem o sanguem envelhecido, tornam-se deficientes e estéreis. Ora se a primeira "qualidade" é uma certeza, a segunda origina e prova a sub-espécie "Gran Cornutus", neste caso muito específico Homo Filha da Putissis Gran Cornutos "IST SS-06" (IST é relativo à população, SS ao local da colheita e 06 o ano da mesma).

Pode, à primeira vista, parecer que houve uma certa falta de cortesia da minha parte ao ter escrito o nome Homo Filha da Putissis Gran Cornutus. Nada mais errado. Apenas referi a correcta designação cientifica atribuída a estas peculiares criaturas. Não é de estranhar o facto, a título de curiosidade, que quem baptizou a espécie, tenha sido eu.

quinta-feira, julho 13, 2006

Recordações Recentes

Para primeiro post de férias nada melhor que um post sobre as aulas, para que todos os que ainda não estão de férias se relembrarem disso.

É mais por só agora ter encontrado o papel onde o tinha escrito do que para amofinar quem ainda estuda ou trabalha. Estranhamente, o papel, ainda estava onde o tinha deixado (se repararem com atenção, esta observação não faz sentido nenhum, se sempre esteve no mesmo sítio e eu me lembrava do sitio onde estava, porque não fui logo buscá-lo?)

Cá vai:

"Hoje o meu dia, foi um dia grande. Passei por vários níveis de agitação com algum pânico à mistura. Apesar da primeira visão dentro do campus da faculdade parecer que o dia ia ser promissor, a partir desse momento só veio o declínio por impulsos abruptos.

A seguir a uma série de acontecimentos irrelevantes, começou a pressão a iniciada por um momento de grande tensão. Tensão essa que vivo repetidamente todos os dias de semana. A tensão diabólica sofrida para não deixar o tabuleiro da cantina cair. Tensão essa repartida em duas prestações equivalentes às duas viagens que faço com ele.

Isto de eu demorar muito tempo a almoçar mais não é que uma tentativa fútil de adiar o inevitável.

Hoje um desgraçado (que se não o era passou mas passou a sê-lo depois daquela tragédia) deixou cair o tabuleiro. Eu fui, com um sorriso incontroladamente grande, igual ao de quem está a achar dinheiro, o primeiro numa valente salva de palmas que se gerou na cantina.

Diz o ditado "não faças aos outros aquilo que não gostas que façam a ti", geralmente sigo-me mais pelo não permitir que seja possível, evitando a todo o custo a hipótese, que os outros me façam aquilo que lhes gosto de fazer, daí este ser, em média, o momento mais tenso dos meus dias. Quando a cantina está cheia chego a ter suores frios de medo do que a sorte me reserva.


É algo que toca a todos e não pode haver discriminação... um professor uma vez escorregou perto das máquinas do sumo (o que é estranho porque aquilo pega-nos ao chão) e não só o tabuleiro, como também ele, foram ao tapete. Também fui dos primeiros a bater palmas vigorosamente para cumulativa fúria do docente, que não só tinha acabado de ficar sem almoço sobre o qual tinha caído, como também estava a ser gozado. A ser mesmo professor, tratou-se de um corriqueiro castigo divino.

É que cadeiras ainda se chumbam... para o semestre há mais. Agora deixar cair o tabuleiro destrói totalmente qualquer um.

Seguiu-se o concluir do relatório para três feito por dois que demorou cerca de uma semana a fazer. A trinta minutos da entrega do mesmo reparou-se que no meu enunciado dizia 2005 e não 2006 e como tal "uns tantos" valores iniciais estavam "um pouco" alterados. Fórmulas algo "vastas" na sua dimensão, repletas de variáveis trocadas e operações muito para além das quatro elementares, em adicção ao facto de os cálculos estarem a ser feitos numa máquina modelo a seguir à gama das conversoras de Euro, dão momentos de pura alegria e adrenalina quando se olha para as seis páginas de valores errados (valores que por "sorte", estavam todos encadeados uns nos outros).

Há já algum tempo que não me divertia assim tanto.


Um laboratório serviu para me acalmar um pouco e demonstrar que tenho controlo absoluto sobre o material. Com um botão cheio de ganho e escala das dezenas, consegui controlar o valor gerado às centésimas. Melhor nem a própria máquina.


Para culminar o dia, veio um testezinho de uma cadeira que afinal não tem exame tal como eu pensava aquando me sentei na cadeira para o fazer. O testezinho revelou-se um meio-exame. Faltou-me estudar a parte inicial da matéria que curiosamente saiu numa das poucas perguntas. Ainda os enunciados não estavam todos entregues já eu estava a vasculhar impulsivamente na mala, à procura de uma pequena folha com aquilo explicado. Não eram cábulas porque aquele papel escrito por mim não estava predestinado a tal. Eram fruto do acaso, calhou, não tenho culpa, logo é incorrecto ser visto como cábula.

As três folhas A4 de "rascunho", que por acaso estavam impressas a laser dos dois lados e com letra pequena e meticulosamente dobradas em quatro, estavam dentro dos bolsos laterais das calças. Como é que eu depois as ia usar subtilmente, é um problema que apenas surge no momento em que se torna precioso o aclaramento de informação cerebral. O que é necessário saber está sempre escrito na parte de dentro e junto à dobra do papel.

Lembro-me de tentar meter a jeito o papel que tirei da mala e parecia que estava dentro de uma câmara de eco a desembrulhar, descascar, desabotoar, desenrascar, desenvencilhar, desenlaçar, desempenar, descalçar, etc. (depende essencialmente do operador em questão) um rebuçado mentolado envolto em papel de prata.

Tendo sido a minha última refeição, o almoço na cantina há sete horas e meia... quando dei por mim estava a acompanhar, com barulhos de carros de rally, rateres estomacais por falta de alimento. Tal como no Rally de Portugal, aquando de uma ou outra passagem menos controlada em Sintra, um piloto fugia um pouco da trajectória ideal, também depois do teste saíram uns tantos feridos graves da audiência."


Isto de posts em férias não tem tanta piada. É vital aquela aflição de falta de tempo para nos agarramos afincadamente a projectos paralelos ao estudo, como já o tinha dito num post anterior.