sexta-feira, abril 08, 2005

A Nova Era Eclesiástica

Este semestre prima pela quantidade de testes que tenho às várias cadeiras, o último foi a Termodinâmica. Mas pergunto-me, como é possível estudar se não me saem da cabeça perturbantes preocupações, tais como:

- Saber que o furador de papel de casa está descentrado. É verdade, mas já resolvi o problema de forma prática embora ligeiramente demorada (o que por si revela uma certa contradição). Optei por calibrar o artefacto recorrendo a projecções de sombras e medições com moedas para achar o centro. Depois de ter estado entretido durante bons tempos acabei por pegar na régua e fazer o que devia estar feito.

- Estar constantemente a recordar-me dos 10 cêntimos (que ainda são 20 paus em moeda antiga) que a mula que vende senhas na cantina (não confundir com as simpáticas senhoras que também lá vendem senhas) me roubou. Não tanto pelos 10 cêntimos (vocês imaginam o que dava para comprar com 20 paus antigamente?) mas mais pelas desculpas dadas para não me devolver o que me foi retirado de forma imprópria e fraudulenta.
Não ter troco num dia é uma coisa mas, no dia seguinte, responder-me sempre com um sorrisinho "viesses cá ontem, agora já 'tá feita a caixa e se tirar agora 10 cêntimos logo fica a faltar dinheiro", pois mas entretanto os vários 10 cêntimos colhidos abusivamente no dia anterior já não fizeram diferença. Enquanto não lhe der prejuízo equivalente aos meus 10 cêntimos, embora com a crise em que se vive actualmente, as coisas tendem a desvalorizar selvaticamente, jamais a minha alma encontrará descanço e conseguirá habitar consigo própria sem ser em plena inquietação.


O teste de Termodinâmica era constituído por dois problemas. O primeiro foi um dos poucos tipos de exercícios que não tinha tentado, por escassez de tempo, resolver. Para análise tinham um êmbolo cilíndrico contendo um gás perfeito diatómico e um pistão, ambos com as suas características ou dadas ou por calcular. O outro era um problema dado nas aulas práticas mas que nem os próprios professores, especializados no assunto, tinham chegado a um consenso sobre a sua correcta resolução e inerente conclusão.

Acontece que o primeiro problema, visto não ter recebido relevante importância nas aulas, era um bom problema para quem está habituado (ou familiarizado) a exercícios que envolvam pistons a empurrar-lhes os gases ou, no caso pontual da "ex-colega do 3310", quem o tinha feito momentos antes da prova. Colega que, de forma altamente corajosa e envolta em enorme bravura, passou aos amigos a resolução do dito em pleno calor da batalha (e com o inimigo ali tão perto da nossa retaguarda).
Valentia que se revelou magnânima ao ter desejado que saisse aquele problema pois assim poderia ajudar os seus camaradas, ao invés de ter essa fantasia como uma sentença pressagiando a desgraça alheia, ambicionando ser a única sobrevivente para puder regozijar-se, num contínuo orgasmo mental, saboreando as atrocidades que infortunavam os demais (algo que só é possível de pensar aos pungentes e déspotas).


Termino este mísero post com um breve comunicado.

COMUNICADO

Após alguma reflexão e ponderação, e sem qualquer influência, quer por parte externa quer por parte da comunidade, dou por findada a época de caça à paulada ao esquilo (embora hoje pudesse ter aberto uma excepção e ter dado uma cajadada, à maneira antiga, com uma cana de bambu no lombo, para ver se retirava alguma inquietude que atormentava a criatura). Confesso que já me escasseavam ideias para esta prática desportiva, até porque não havia assim tanto para ser gozado. Em "alguns" casos vi-me forçado a amplificar um "bocado" o âmago da matéria em questão, para que a sua compreensão se tornasse acessível. Nesta altura do texto, alguns leitores mais astutos e sagazes, já se estarão a aperceber que irei mudar os rituais e alterar a matéria para exorcismar para outra cujo potencial de gozabilidade se encontra no limiar do infinito.

Não poupo elogios àqueles que, com um rasgado sorriso de sabedoria na cara, conjecturaram que dei por iniciada a época de caça, por apedrejamento (tal como se faz às mulheres árabes que cometem o adultério e com a mesma fé e boa vontade com que se perseguem pagãos), ao aeróstato inventado pelo padre Bartolomeu de Gusmão.


Qualquer comentário referente ao comunicado, que eu considere imprópio, será prontamente retirado ou alterado.

segunda-feira, março 28, 2005

Demagogia Irracional

Há vários motivos para que o meu último post não tenha sido bem aceite pelas hordas: ou são muito exigentes e não aceitam posts daqueles para "encher chouriços" e cumprir calendário, ou fartaram-se de mim ou então, a justificação que me parece mais plausível, anda tudo a comer produtos com "bifidus activus" e gostam. Os iogurtes até se comem bem... mas não quero voltar a discutir as suas supostas propriedades curandeiras porque senão caem-me todos em cima (salvo seja).

Com isto tudo perdi muita vontade de escrever o que quer que seja, ganhei medo. Ganhei medo porque as únicas ideias que tenho estão relacionadas com os últimos acontecimentos na Amadora. Acabaria por escrever aqui, muito do que penso sobre certa gente e seria acusado de certas coisas infudamentadas. E discutir algumas ideias que, por certas vezes, coincidem com alguns pontos de poucas doutrinas políticas, que por si tendem a preservar a integridade da Nação, algo que é nosso, para depois ser críticado sem qualquer alicerce de senso... ("Este jogador joga no Benfica então não presta!" Mas se o mesmo jogador jogar na selecção, sem olhar que equipa representa quando joga no campeonato, e fizer um bom jogo, "é um excelente jogador, tem uma óptima visão de jogo!". Às vezes é importante não dizer a que equipa se dá crédito).

Há que decidir de que lado se está sem ligar a nomes envoltos em preconceitos: se do lado do malandro do polícia que alvejou o coitado que só fazia uns Unos para andar nos rallies com os amigos e que, por acaso, naquele dia também levou sem querer o dinheiro em caixa de uma farmácia, se do lado do pobre moço de Cabo Verde (enorme coincidência estar evadido do Vale de Judeus onde cumpria pena por homicídio, roubo e tráfico de droga. Tudo coisas que os jornais fascistas inventam) que, distraidamente e sem qualquer má intensão, disparou 22 tiros, com uma arma de guerra, sobre o corpo de um polícia intrometido, que, digasse a bom da verdade, certamente era racista.
Um opinião não pode mudar consoante as notícias do telejornal: se dá uma notícia em que os bandidos fazem mal, revoltam-se contra eles; se logo a seguir mostram uma manisfestação de emigrantes que estão ilegais e que querem a "papelada" toda, dizem que se mandassem "nisto" esta gente tinha tudo em ordem - "é gente que quer trabalhar e não são como os calões dos portugueses".

Por isso, e mudando radicalmente de assunto (diria mesmo, dando uma volta de 360 graus), vou descrever um poucos os brasileiros que imundam em vagas e que submergem o litoral deste país, que em tempos também ele os colonizou.

Quem não anda só de carro e não entra e sai num condomínio fechado já deve ter notado, por certo, que existem pontos do país que estão repletos de gente do Brasil (aqui abro um pequeno à parte, nem todo o brasileiro é da mesma jaez: uns não querem vir para cá, outros vêm ou querem vir e não podem (estes últimos também não muito apreciados no seu país de origem)). Esses pontos de concentração excessiva (embora para mim, a partir de 1 já é excessivo mas, para este caso, digamos que são bastantes, ou seja, propoções que chegam aos 25 para 1 português) coincidem com pontos geográficos com particularidades interessantes e, que de certa forma, lhes lembrem a sua terra natal (aqui estou a mentir, porque a terra deles é lá no meio do mato, mas para facilitar a conversa temos que arranjar algumas desculpas falaciosos). Claro que me refiro a zonas de praia tais como a Ericeira, a linha Cascais/Estoril, a Costa da Caparica entre muitas outras (estes são os confirmados por mim e por mais uns amigos que de certo já abanaram a cabeça de forma afirmativa).

Claro que nesta altura já há quem diga "eh pah não digas isso porque vêm para cá brasileiras muita boas" mas, como diria o meu amigo Marcos, o Nazareno, (nome fictício e sem querer levantar ciúmes a certos pardais com a mania que são pavões (conjectura completamente arquitectada por um devaneio delirante que me deu, embora haja sempre quem se acuse nestes casos)) e utilizando aqui na integra as suas palavras - Toma lá cuidado que isso é gado bravo. Geralmente são vistas com a cara encoberta em reportagens sobre acções da PJ em Bragança, ou em "reportagens especiais" da TVI no mesmo local, semanas antes. Claro que isto vai gerar muita discussão com gente que vê muitas telenovelas (ia perder muito tempo a explicar que essas brasileiras têm nomes holandeses ou italianos e que não querem vir para cá) e que quando vai ao Conde Redondo fica empolgadíssima de ver tanta "gaja boa" e "mu'herão de perna rija".

É que depois, para além do já referenciado muito vagamente no início (aquilo dos três polícias baleados mortalmente nesses cóis... ou não cheguei a dizer?), acontecem cenas como esta: estava eu e mais o sôr Lampreia (este talvez seja o único nome totalmente ilusório em todo o blog e só a pessoa em causa saberá quem é) na Praia do Alvor quando fomos importunados por uma sombra. "Hey cara, vai umá peladjinha nóis trêiz?". Foi criado assim o mito do "Jerrrsón" (tirar fluxão das mucosas quando se pronunciar o "r"). Jerson dos Santos Salvador Jesus de seu nome, ou qualquer outra combinação de nomes, em que o primeiro é bizarro e os outros de uma espantosa religiosidade extrema, embora grande parte desta gente sejam grandes pecadores. Lá estava ele, de bermudas às riscas amarelas e pretas que cobriam metade das canelas, com um fio d'ouro e com um crucifixo ao petio com a imagem dO "JC", andar com estilismo que lhe conferia um movimento, semelhante ao de um peru, ao pescoço, e com aquela cabeça de "Jerrrson" (é um paradígma com alguma reciprocidade). Ainda a lutar contra a moleza característica de quem está de férias, com ar de quem acabou de acordar de forma não natural, de quem ainda tenta entrar na realidade que se lhe apresenta e enquanto se tentava discernir a silhueta que ocultava o Sol de forma provocadoramente descontraída, respondeu-se - "Pah... nós é mê'mo só raquetes" (a 25 metros de distância um do outro e atirando a bola com a maior das nossas forças (diga-se que três toques seguidos, a contar com o de serviço, era um resultado bastante positivo e estimulante), já que "temos" que jogar (dois rapazes numa praia a "brincar" com raquetes é algo que não constroi a personalidade de um macho), que seja à homem. Também jogámos à bola (todos contra todos, ou seja, eu contra ele) à C+S de Paço d'Arcos com muita regra de duração flutuante, geralmente a favor de quem as recitava ("agora os golos só valem se forem marcados por detrás da baliza senão é autogolo, não sabias? Mas eu já tinha dito..." logo a seguir a termos sofrido um golo, "agora quando se tira a bola tem que se ir a correr ao meio campo" depois de ter ficado sem a bola e apontando ao equivalente ao meio campo de um campo de futebol de 11, para mero exemplo)) enquanto tentávamos encobrir o "Wiiilson" (o "son" é a para ser dito com uma velocidade superior em relação à outra sílaba, embora ambas sejam ditas muito depressa e em voz esganiçada) por entre as poucas toalhas (tenho que arranjar maneira de não escrever mais de metade do blog entre parêntesis, isto assim distrai e quebra o raciocínio do leitor). Outros quaisquer teriam cedido logo à interrogação imperativa do invasor. Noutras ocasiões em tempos seguintes, enquanto estávamos a fazer a ronda na praia (sempre de forma divertida (jamais alegre!) e diferente do normal... corríamos em passo acelerado e quando estávamos cansados iniciávamos um sprint como se fosse pela própria vida até à completa exastão e só aí mergulhávamos, num último suspiro, dentro de água. Para além de, por várias vezes, me ter faltado o oxigénio à cabeça aquando dentro de água e de, à noite, nos ajudar a adormecer muito depressa, estas atitudes provaram, mais uma vez, que a nossa sanidade mental, minha e a dos meus grandes amigos, não está de todo calibrada devidamente), visto várias vezes a chatear outros banhistas... haviam de ver o ar de frete com que aquelas pobres criaturas passavam a bola ao Jerrrrsón, para este dar mais uns toques e mostrar que é "craque" e que no Brasil "éki si jóg'à ból-há".

E se a medonha criatura se cruzava com o o sotôr Mario Soares, frequentador de uma praia vizinha, como seria? Também a notável figura nacional tinha que dar uns toques na bola para saciar o ignorante indivíduo e evitar acusações xenófobas e racistas e provocar um compremetedor desentendimento internacional?

Pronto... com sorte talvez o nunca faccioso SOSracismo mande cancelar a minha página pelos seus conteúdos gritantemente ofensivos a uma minoria étnica desfavorecida.
Ainda não falei dos romenos?

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Extremus Faex

Tal como tinha lido no horóscopo da Maya que vinha na revista Vidas, que veio com o Correio da Manhã de Sábado e cuja capa era o Cristiano Ronaldo em tronco nú (assim de rajada uma quantidade de coisas de relevante valor cultural), esta semana não ia ser boa... não o digo pelos textos, que com a sua vastidão me deixaram sem saber que catástrofes aguardar ("gaste todas as suas energias para superar restrições e evite excessos para não se cansar"), mas sim analisando os smilies atribuidos a cada um dos dias (apenas a Sexta-feira me é favorável). Ainda por cima para além de recomeçar as aulas e, como se não fosse suficientemente mau, ainda as começo com início de constipação. Para dar as boas vindas ao novo semestre fui almoçar à cantina com mais uns colegas. Como é sabido, no início das aulas andamos todos meio aparvalhados, mas uns superam os outros (neste caso em concreto, em vez de aparvalhado (que também o é), é mais apassarinhado)... foi descoberto um local que fica entre a estação de metro do Campo Grande e o fim do Jardim do Campo Grande, que se chama Churrasqueira do Campo Grande e que no entanto não fica no Campo Grande porque, seguindo a justificação do mesmo, "[palavrão acabado em "sss" e a começar em "f", com "oda-" no meio] o Campo Grande é grande!". Não tenho mais nada a dizer sobre isto.

Já várias foram as vezes que leitores interessados me perguntaram para quando um novo texto. Apesar de ter estado de férias, ainda estou meio aturdido pelo último semestre e como não tenho andado muito acompanhado, tudo o que me passa pela cabeça está estritamente relacionado com o tema principal deste post. O mal todo é que nem tenho capacidade crítica para ajuizar o que lá vem.

Após esta pesada introdução tornou-se óbvio que me preparo para fazer uma profunda análise a uma vasta gama de produtos "alimentares" que permitem, desculpem a expressão frequentemente utilizada pelo povo, "cagar macio" e a "tempo e horas".
Falo dessa vasta qualidade diferente de alimentos (apesar de serem todos a mesma "porcaria") que vão desde cereais e barras de cereais (tão insipidos e secos que de certo estão relacionadas com a seca que se tem sentido ultimamente e envolvidos directamente em muitas amarguras do povo português), iogurtes nas suas variadas formas (os líquidos vêm em recepientes tão pequenos que são necessários 4 para enganar a sede, deve essencialmente dever-se ao facto de serem uma matéria mais rara e cara que o petróleo, sim... com o preço de uma "garrafa para pigmeus" da dita substância posso comprar quase um litro de gasolina) até chocolates (geralmente o anúncio mostra um grupo de amigas, que transparecem ser mulheres modernas e evoluídas, e, no meio de uma alegre confraternização, há uma que se recusa a comer um bombon agarrando nas inxundías como quem diz "que está gorda", depois de uma breve explicação com meia dúzia de termos semi-técnicos (que nem o director da fábrica dos chocolates sabe o que são) por parte das amigas, já se lambuza nos chocolates, apenas faltando ficar com o aspecto de um puto a que foi oferecida uma tabelete numa tarde solarenga de Verão) todos eles têm uma coisa em comum, para além do hipotético efeito, apenas resulta se administrados com regularidade em enormes quantidades, ou seja, basicamente todos os dias até que aconteça um dos seguintes: saia nova versão no mercado que substitua a anterior, estudo independente (por empresa que se desmente rapidamente e reconhece que afinal aquilo até faz bem ou então fecha misteriosamente) que prova cientificamente que tudo não passa de uma farsa capitalista ou que os produtos têm consequências nefastas para a saúde humana ou, por fim, o consumidor encontre a morte na sua breve passagem pela vida.
Entre estes encontra-se o já mítico, por várias razões, All-Bran com o seu momento All-Bran que devia vir no dicionário como "momento da defecação". Se após esta comparação retirarmos a ambas as frases a palavra "momento" (tal como se faz numa equivalência matemática) ficamos com "All-Bran = ...". Está bem que vi num documentário que, durante as migrações originadas por grandes secas, os elefantes comiam escrementos dos vários elementos da manada para contornar a quase ausência de alimento e manter os intestinos a funcionar, mas fracamente, seria necessário copiar a Natureza em casos tão extremos?

Estes produtos não só "regularizam" a denominada "flora intestinal" como também têm os seus extras, para além das suas multi-vitaminadas composições, garantem ainda uma % ridícula de gordura como também oferecem uma quantidade massiva de fibras e (o tal composto que ninguém sabe o que é) "L.casei Imunitass"

Agora pergunto, com tão pouca gordura como é que o organismo lubrifica as variadas veias e artérias que constituem o sistema circulatório? Os glóbulos vermelhos carregados de abrasivo oxigénio irão desgastar, por acção do atrito, rapidamente as paredes de tão importantes canais... e com este frio é importante untar o sistema circulatório como forma de anti-congelante. Isto cá dentro é uma máquina muito complexa e convém ter este tipo de cuidados, tal como se tem num carro.

Muito mais ficou por dizer... mas quero ir para a cama e como muito texto é sinal que menos gente irá ler isto, vou ficar por aqui.

Estive para comentar o regresso dos detergentes com "sabão natural" no seu nome mas não é um campo que domine. Embora admita que acho extraordinariamente curiosa a evolução cíclica dos detergentes: do sabão natural passou-se para os outros porque o sabão não presta porque não tem "glutões que comem os detritos deixados pela comida", agora volta-se ao aparecem os detergentes baseados no "sabão natural" porque lavam tão bem como antigamente. Mas eles já se enganam a si próprios?
Também me senti tentado a falar nos champô multivitaminas, com tantos ingredientes, cujos termos técnicos não me recordo, e frescura que dá vontade de beber/comer aquilo (o mesmo me acontece ao ver certos anúncios de comida para cão ou gato. Confesso que me lambo todo e me cria um certo apetite. Acabo por vir da cozinha desconsulado por não encontrar nada que substitua ou satisfaça aquele desejo... nem mesmo paté de sardinha).
Há uns bons anos atrás, eu e o meu grande amigo "sôr Lampreia", idealizámos um champó Kinder -"agora com mais leite e menos cacau", tudo envolto num anúncio cheio de crianças loiras e felizes a brincar alegremente nos vastos pastos Austríacos. Nunca fomos com a ideia por diante.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

O Renascer De Um Mito

Deve estar mesmo aí a rebentar para os meus lados, o primeiro prémio do Euromilhões, tenho a certeza! Não apenas por uma breve análise a um ditado popular (que relaciona a sorte ao jogo com a sorte ao amor), mas porque tenho um primo meu (fiz de propósito, repeti a ideia de posse, bastava dizer que "tenho um primo" ou "um primo meu") que trabalha lá e que me afiançou uns números que estavam assentes que iam sair. Isto tudo a troco de uma caixa de marisco de contrabando, daquelas que vêm escondidas em meias de senhora lá das africas profundas (lá mesmo do interior). Porquê do contrabando? Mesmo que tenham valores mais altos do que na loja e tenham em tudo uma pior qualidade, é hábito do português optar e preferir coisas ilegais apenas pela sua ilegalidade (basta ver no caso da Feira da Ladra, basta dizer que é roubado (mesmo que não seja) para que um molho de sabujos apareçam do nada para tentar comprar o produto - é roubado, é porque é bom e barato), a quantidade de lixo que não veio de portos francos (Canárias, Las Palmas, Trafaria, etc) para Portugal e que não foi vendido cá que nem mel como "contrabando de lá de fora"?. Bom... para ser preciso, ele trabalhar lá, não trabalha, mas tem um colega que trabalha (ora o meu primo não estuda, logo, em princípio, trabalha... se ele não trabalha lá no "sitio" do Euromilhões como é que tem um colega de trabalho que trabalha lá? A vida é uma complicação mesmo muito grande... principalmente depois desta chamada de atenção entre parêntesis e da repetição da palavra "trabalha") e que lhe disse. Ao invés da dita caixa de marisco de contrabando o "homem" queria outro tipo de favores, por isso mandei o "Tó Britos" (nome fictício) para se fazer cobrar. Foi uma informação cara porque puxaram (ao que parece não foi só um) demasiado pelo rapaz, espero que ao menos tenha valido a pena porque veio de lá meio abatido.

Bom... já estou a fugir ao tema.

Muita gente se tem perguntado a si própria o que faria com tamanho prémio. Eu dei asas à minha imaginação e cheguei a estas excentricidades luxuriosas:
Primeiro que mais nada ia passar um fim de semana à Costa da Caparica (intensão não tão desprovida de senso como possa transparecer) numa pensão de estrela e meia (estar nesta pensão ou numa no Brasil só mudam as coordenadas no GPS), em regime de meia pensão. Depois destas merecidas férias que serviriam para repousar e meter as ideias em ordem, aí sim estoiraria o pouco que sobrava para realizar os meus sonhos mais doidos (que expressão tão deprimente).

Neste ponto já estava entediado de tanto me divertir que, para finalizar este esbanjar de dinheiro, comprava uns faróis de nevoeiro para o Lancia e uma cassete para gravar música nova (com um bom Rock ligeiro, por exemplo) para ter no porta luvas. Assim se gasta um fortuna, em coisas boas e caras é verdade... mas o dinheiro some-se num instante. Se temos dinheiro para arder, tudo e todos à nossa volta são fósforos.


Acho que estou a ser um pouco atoleimado, o meu sonho desde pequeno sempre foi um. Penso que todas as minhas acções têm sido em função desse sonho. Para quê fugir a esta vontade, a esta utopia?

(Carregar no refresh do browser para ouvirem a música d'início)

Exacto, como todos já acertaram, estou a referir-me a comprar (embora nunca o possa ter realmente tal como outra qualquer figura mitológica) o KITT. Não confundir com o KARR (o protótipo programado para sobreviver a todo o custo, o carro inimigo de KITT) e muito menos com o "kit" que se adquire na farmácia. Já tinha esta obsessão antes mas, foi ao vê-lo exposto nas Amoreiras, que prometi a ambos (a mim e a ele) - um dia iremos ser companheiros (não confundir com a versão brazileira "kitshi amigão mi pégji pour traiz"). Já não faz muito sentido aparecer no infantário a conduzí-lo como fazia na altura, mas mesmo assim causava grande impacto e sensação no meio em que interajo. Para concretizar este exorbitância conto não só com o primeiro prémio do Euromilhões (um primeiro prémio dá para algumas coisas mas não da para tudo, como é óbvio) mas também com os quase 30 contos (muita contenção porfiada para alcançar esta delirante quantia) que tenho vindo a acumular no meu pecúlio desde 1986.


Ainda me lembro de tudo o que ele tinha de bom... desde o Voice Modulator para conseguir falar (com sarcasmo diga-se,talvez tenha aprendido qualquer coisa de lá), o fascinío do Turbo Boost... cada vez que ele levantava as 4 rodas do chão, ficava com um nó da garganta e paralizado a olhar para a televisão, o Sky Mode para andar em duas rodas (rodas da direita ou com as da esquerda), o Scanner (as luzes debaixo do capô (para os leigos) que mais tarde aparaceram, sob a forma de imitação barata (obra do tão aclamado na altura, "contrabando"), em muitos carros profanos, então em Toyotas Hiace vindos das obras, até quase que faziam fila) e por fim, entre muitas outras que não referenciei (sem contar com as inatas protecções anti tudo), a minha preferida - Super Pursuit Mode (SPM). Só para terem uma pequena ideia da extrema velocidade no SPM, o KITT andava tão depressa que até os pássaros pareciam balas (digo isto e não me contenho de arrepios com a comoção da lembrança). Aquando no SPM só conseguia travar graças ao Emergency Breaking System, que, para os olhos mais desprevenidos e mentes pagãs, mais não era que umas placas pintadas de vermelho que se levantam para dar a ideia de travagem perigosa. Ah... e o Auto Cruise, que permetia o KITT andar sózinho, também é importante. Tudo isto acompanhado com uns efeitos sonoros esplêndidos. (Recomendo a carregarem mais uma vez no refresh do browser)

O fenómeno era mais que uma série de culto, aquilo era um culto. Eu até tinha autocolantes Knight Rider, que vinham nuns bolos muito ruins, colados quer na caravana do meu avô no CCL da Costa da Caparica, quer no armário de casa de banho do meu outro avô.

Era o ídolatrar extremista de um ídolo, a máquina que quase ofuscou o brilhante Michael Knight. O senhor David Hasselhoff não só foi o Michael Knight no Knight Rider, como também foi o Mitch Buchannon no Baywatch.
Sem o KITT, voar mais alto, só um Deus.

Os anos 80 valem o seu peso em ouro. Passei à cadeira de Dinâmica do Tempo, mas não posso precisar, porque não me lembro, quanto pesa um segundo para fazer a conversão para década, e ainda falta o preço do ouro de lei, exclui-se, portanto, a hipótese de ouro de "contrabando".

"Knight Rider, a shadowy flight into the dangerous world of a man, who does not exist.
Michael Knight, a young loner on a crusade to champion the cause of the innocent, the helpless, the powerless. In a world of criminals who operate above the law."

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Svpremvs Ravalhavm

Estou numa das mais perturbadoras épocas do ano e todo o meu tempo, paciência e força criativa são sorvados de forma fraudulenta a níveis exaustivos. No caso da última (a força criativa, para quem tem memória de pardal), gasta-se sem sequer ser utilizada. Estar a postar numa altura destas é como pisar uma mina anti-pessoal e esperar que nada aconteça. Também é nestas alturas que o nosso inconsciente impele o nosso consciente a estar mais predisposto a reflexões sobre o sentido da Vida e qual o significado da existência do Universo. Somos facilmente aliciados com o sonho de ganhar o Euromilhões e de, consequentemente, receber um generoso empurrão na vida. Sonhar é fácil... difícil é acordar para a realidade.


Infeliz coincidência que me deixou com uns certos remorsos. Desta vez, não era preciso levarem-me a sério, disse o que disse sobre o terramoto, mas nunca duvidei das capacidades do Criador. Eu a falar de um terramoto de proporções horrendas (para não repetir "dantestas") como significado para "terramoto", e ele a acontecer uma semana depois com quase todas as minhas descrições a serem usadas pelos media (tal como confirmado), vítimizando 280000 pessoas (28 navios com 100 contentores, cada um contendo 100 seres humanos dizimados violentamente, para terem uma melhor noção). Só mostra o quanto somos frágeis e minúsculos perante as forças da Natureza.

Como não tenho mais assunto dou por terminado o post.


Ah! Ia-me esquecendo... vou só escrever umas linhas sobre a passagem de ano.

Para ser sincero podia ter sido melhor. Só de pensar nos afortunados que puderam ficar trancados em casa para terem que ver a grande final daquela coisa que passa na TVIgreja (como foi apelida de início) fico com insônias: como é possível alguém divertir-se tanto?
Passar 8 horas em frente ao "tuvisor" a "gramar" algo que tem tanta cultura como um contentor de lixo orgânico em avançado estado de decomposição, será um nova forma de arte moderna, por mim incompreendida? Bom, não exageremos, tanta cultura também não, sempre se pode fazer um estudo químico ou biológico às várias reacções que se dão no contentor, tem algum interesse cientifico. O contentor, ao menos, ainda tem uma infíma utilidade, nem que seja para fazer apostas entre amigos, ver quem resiste durante mais tempo às já vencedoras náuseas.
Pronto, não me ocorre nenhuma justificação para se assistir àquilo.

Eu, ao menos, estive entretido na companhia de amigos (como a época era de festa, o Zé Cabrito também será apelidado de amigo. Estou a brincar... no entanto deixo no ar com o quê estarei a brincar: será que o considero sempre amigo ou nem na época em questão isso acontece?), para além de frio, passei um bom bocado ao ver as suas vidas a desmoronarem-se enquanto eu ganhava fortunas, isto no Monopoly, claro.

O mais engraçado no Monopoly não foi bem ter ganho, a piada foi ter feito todos perderem por minha causa. Até gostei de jogar, senti-me poderoso, foi saboroso sentir que tinha tudo acabado a jogar contra mim e mesmo assim dominei o jogo. Uns dizem que foi muita sorte de início, o Tiago prefere dizer que foi apenas uma grande visão sobre o futuro, análise global do tabuleiro de jogo aliada à enorme idoneidade de gestão de imóveis e de uma enorme capacidade de relacionamento empresarial. E ainda consegui provar a minha teoria: dinheiro gera dinheiro. Foi pena dois terem preferido falir a darem-me o pouco que ainda tinham... gente sem coração nem sentimentos.

Para além deste peculiar episódio, tive que me "contentar" em fazer uma tumultuosa algazarra, com os meus amigos, no centro do Cartaxo (um (que acorda com os boxers diferentes daqueles com que se deita e que se perfuma antes de ir dormir sozinho) no entanto era arrastado, pelo meio da relva, por uma cadela assustada com o rebentar dos foguetes, justificou porque era dominado com um simples "era para não a magoar, deixei-a ir para onde queria").

Contámos as 12 badaladas num cenário provinciano e com a simplicidade da década de 60-70. Junto à Camara Municipal do Cartaxo, uma Peugeot 505 GRD (SA) com as portas abertas, "tufonia" sintonizando um posto regional que transmitia música popular (aka "pimba"), com locução em directo da nossa grande Tonixa, que nos fez dançar de forma espontânea e natural. Pronto, confesso... estava mesmo muito frio (a ponto de se acordar a meio da noite por se ter as orelhas e o nariz gelados). Houve ainda o vinho espumante ("champagne") do mais barato e ordinário mas, mesmo com estes atributos, era digno de uma rolha de cortiça sintética ao invés da de plástico. Foi comprado num supermercado de produto barato e bebido em copos descartáveis mais ruins que os incluídos no almoço da cantina.
Sem esquecer um saco com 500 gramas de passas (para os naturais desta região, uva que não vai para vinho (ainda que carrasqueiro), é uva perdida, é um sacrilégio que se comete. Estávamos habilitados a uma pena que podia ir das 25 chicotadas à morte na fogueira em plena praça de touros), que mais tarde foram encontradas espalhadas pelo chão da SA, passas essas que também serviram para dar as boas vindas ao novo ano.


Depois da dita "passagem de ano", e como somos gente pobre e agarrada ao dinheiro (eu pobre não sou, sou dono de uma série de ruas todas com hotéis como já o tinha referenciado. Apenas me chateou a mesquinhez de alguns em teimarem que tudo não tinha passado de um jogo, tretas... está tudo legal, tenho os cartões todos em ordem, para provar o que é meu e não devo nada a ninguém), "tivemos" que nos colar a uma festa da comunidade religiosa (?) "Taí,Zé" ou "Tai-o-Zé" e comer o que havia, ainda que contrariados. Como o estômago é pequeno, tivemos que levar dois pratos com bolo de chocolate para o carro, a SA, visto que em cima da mesa poderiam azedar e fazer mal alguém. Com tanta gente não pudemos arriscar com este atentado à saúde pública.
Enquanto estávamos nos "treinos" (leia-se "de volta de uma tarte gelada") não pudemos deixar de reparar numa massiva orgia "bate couro", capaz de deixar Nero envergonhado, tal era o festim selvagem.

Confesso que já vi filmes de "karaté alentejano" (nome técnico) com um guião bastante mais suave e, em comparação com o que assisti, bastante mais provável (apesar de um não passar de ficção).
Como é possível, gente da igreja, que dorme e come em casa de amáveis crentes, gente que se faz passar por mensageira da palavra e do bom nome de Deus fazer uma coisa destas?

Vimo-nos obrigados a abandonar o recinto quando começaram a querer formar grupos por nacionalidades, com fim a organizar a partida, lá para a terra deles, no dia seguinte. Foi agradável, apesar de termos sido uns chupistas, passámos um bom bocado no meio de tanto jovem um tanto ou quanto afectado por uma concentração hormonal algo excessiva.

Já agora e só para deixar clara a questão do Trivial: ora acontece que não perdi... apenas não me apeteceu ganhar. É do senso comum saber quem é que arbitou a final da taça em 1957, ou que raio é um "bufometro" e por quem foi inventado, já para não falar no nome do primeiro navegador croata a chegar à Polinésia numa embarcação de 2 mastros. A realidade é que estava a ficar com as mãos frias a ponto de ter as unhas roxas e os dedos pálidos. Pensei: só me safo desta se conseguir chegar a esse oasis que é lavar a loica. E assim o fiz, enquanto uns sofriam por estarem quietos sem nada para fazer ou por estarem a implicar uns com os outros, eu lá estava entretido a lavar a loiça alegremente e de livre vontade, fazendo inveja a muita gente, enquanto recitava, em jeito de cantarolar, uns versos de António Variações.

Por último, descobri um método, ainda em estudo e com uso exclusivo a homens, para utilizar a régua como termómetro. Os passos, em linhas gerais, são as seguintes: encostar uma régua à base do tronco fálico e, aplicando a fórmula (ainda em aperfeiçoamento):

T = L0 + 4 ln (x/20)

T = temperatura em [ºC]
L0 = medida em [cm] do membro a 20ºC e a 1 atm
x = resultado da medida ao membro em [cm]

será possível descobrir a temperatura do meio com grande precisão. Em confronto com alguns resultados obtidos em cobaias, denotou-se que certas temperaturas podem ter uma acção castradora para a masculinidade.


Dou assim por terminado o primeiro post do ano (que coincide com outra data qualquer sem importância de maior), após ter sido editado para metade do tamanho. Apesar de ninguém mandar em mim (nem eu próprio mando, quanto mais os outros), achei por bem reduzir o tamanho para que pudesse ser lido de uma só vez.