terça-feira, maio 24, 2005

Anamnese Pueril

Recentemente, durante o pequeno-almoço, vi circo na televisão. "Já há algum tempo que não vejo circo", lembrei-me. Rapidamente recordei-me porquê. Acontece que, quando era pequeno, a coisa pela qual mais ansiava ver no "maior espectáculo do mundo" (que é um bluff (nunca compreendi muito bem esta palavra)), era pela entrada dos leões e/ou dos tigres em cena. Não tanto pelo número em si, mas pela possibilidade de os bichos se virarem ao "domador", um "artista" todo gingão que geralmente se apresenta com vestimentas bastante "leves": cores "leves" em perfumadas (com perfumes chineses à base de álcool em que apenas a embalagem tenta imitar um qualquer produto de marca, geralmente quem usa estes "perfumes" cheira, como se diz em linguagem de fadista, a "putas") camisas "leves" apinhadas de lantejoulas, calças de cabedal e botas em bico, ambos igualmente leves. O cabelo, à galã de tasca, apresenta-se cheio de laca com brilhantes e com uma enorme poupa a tentar assemelhar-se, de forma reles e barata, com a do Rei (Elvis, para os pobres em cultura) nos seus anos de ouro.

Tanto aparato quando afinal os bichos vão, para aquilo que devia ser a arena, já alimentados... bolas, assim também eu! Quando soube desta triste realidade fiquei de tal forma desiludido que julguei que toda a vida não passava de um embuste. Foi um estalo de angústia tal só equiparável ao recebido quando, aos 15 anos, fui confrontado com a inexistência do Pai Natal. Tamanhos desprazeres tenho eu sentido ao longo da minha curta vivência...

Era de esperar que, a receber as famintas feras, estivesse uma figura sinistra com um seboso cabelo farto em caspa, com uma vista vazada, uma perna mais curta que a outra (conferindo-lhe um certo e desajeitado mancar), dois buracos numa testa completamente desfigurada (consequência de uma prensagem por abocanhamento violento), ombro irreversivelmente deslocado, jardineiras de talhante com botas de borracha (usadas para jardinagem ou para cavar em valas) como farda, emanando um intenso e fortíssimo cheiro a mijo que agoni(z)ava toda a tenda, cheiro intensificado pela elevada temperatura que se fazia sentir. Cheiro esse provocado por uma incontinência já antiga, efeito retardado de uma ferida não devidamente suturada, resultado de uma patada abrupta na zona das virilhas sofrida há uma década atrás.

Este subjugador de bestas (o autêntico domador em toda a extensão da palavra), era forçado a entrar numa redoma em acrílico (não só não poderia trepar, como o sangue esguichado, que já não ia para à plateia, se tornava mais fácil de limpar), ao invés das grades de encher o olho ao pagode.
Teria de dominar as bestas durante singelos 15 minutos (mais ou menos o tempo que dura o Bolero de Maurice Ravel) para não saturar ninguém, bom... melhor dito, tinha que, penosamente, aguentar 15 espinhosos minutos sem ser dominado, para não ser violentamente mastigado, esquartejado e fustigado num festim medonho, num acto de carnificina horrenda e nauseante para todos os presentes, menos para os intervenientes como é óbvio.

De resto não há mais nenhum outro número onde os "artistas" se possam aleijar, o que é pena pois isso é que dá emoção e espectáculo, cada actuação era uma actuação diferente da anterior (não só pelas caras diferentes), era uma actuação onde se entrava em cena como se fosse a última vez. Por detrás das cortinas havia circenses despedindo-se das respectivas famílias em prolongado choro de comoção e saudade. Em cena, entravam vivos 25 e apenas regressariam 18 (num circo com gente experiente), sendo os outros recolhidos com pás para a neve e colocados em sacos de plástico pretos. Numa constante predadora roleta russa.

Mas nenhuma destas belezas do verdadeiro mundo do espectáculo acontecem, ora vejamos:
- os trapezistas, com rede à maricas, se caírem recebem palmas (como isto vai meu Deus... fazem asneira e em vez de pagarem a asneira com a própria vida não, ainda são aplaudidos) e tentam outra vez.
- no malabarismo já não usam objectos que lhes cortem as mãos em caso de erro, nem fogo... nem vale falar sobre o que é óbvio para todos, uma farsa!

Talvez deposite alguma esperança nos palhaços, considero mesmo que seja a actividade de maior risco no meio desta fantochada toda, não só pelas pinturas com tintas cancerígenas ou das atrocidades cometidas pelos mais novos (alguns depois vingavam-se mas esses neste momento estão do mesmo lado do tio Carlos, do menino Marçal ou do sr. embaixador se é que me faço entender), mas pelo seu elevado grau de depressivísmo. Estes, mesmo que tristes e deprimidos, têm que entreter e fazer rir a horda, aparentando sempre boa disposição. É terrivelmente desgastante e pode originar ideias destrutivas e suicidas.


Já me ensinou o meu avô: pimenta no cu dos outros para mim é refresco!

Por falar em feras... ontem (que quando escrevo isto aqui, já passaram uns dias) de manhã acordei acordei com as seguintes palavras vindas da janela do quarto: "Stallone, anda cá Stallone, deixa isso Stallone!"
Deveras intrigado, abri de imediato todo o estore (apesar de estar completamente nu, e com a jamba a 5cm do chão), para apaziguar a minha incessante curiosidade. Esperava eu ver um Mastim Napolitano ("Esta corpulenta e imponente raça teve origem em Itália durante o império romano, onde o próprio Júlio César reconheceu nele um poderoso cão de guerra ou para a arena junto com os gladiadores. (...) Nasce com cerca de 500g e aos dois meses tem já uns surpreendentes 12kg! Atinge o peso máximo por volta dos 3 anos onde precisa de comer cerca de 3kg de ração por dia, o dobro de um Rottweiler.", "Como dissuasor de criminosos, o Matim Napolitano é do mais perfeito que um cão pode ser. A sua aparência intimidadora, quer seja a cabeça quer o corpo, sugere um potencial de brutalidade sem precedentes e, enquanto que pode ser extremamente dócil com os membros da família e amigos, esta brutalidade pode facilmente tornar-se efectiva se a casa ou os donos forem ameaçados seriamente.") de volta de um homem inanimado e ensanguentado estendido por várias partes do chão. Qual não é o meu espanto quando, após ter passado a fase de encadeamento e o sangue ter voltado ao cérebro (isto de me levantar depressa tem desvantagens), vejo uma madame de idade, com uma pequena trela numa mão repleta de pulseiras de pechisbeque, atrás de um Yorkshire Terrier (daqueles muito anões e de pêlo comprido, laçarote lilás entre as orelhas, risco ao meio ao longo do corpo e com um temperamento de "só ao pontapé") que teimava em cheirar a "merda" dos outros cães, perdi logo toda a minha vontade de fazer o trabalho que tinha para fazer naquele dia... ai eu antes também não tinha vontade...? Ah... ai agora sou mentiroso é? Ah! Então sou calão é isso...?


Passado uns dias de ter escrito isto num papel de pastelaria (não foi de pastelaria porque é um papel ordinário e a tinta não agarra, mas podia ter sido), tive um encontro imediato com a fera, o Stallone. "Anda cá Stallone" e o corno em vez de ir ter com a dona (que por sinal não era velha (mas a descrição até assentava bem para dona do cão), mas sim uma rapariga moderadamente nova e que necessitava de uma cadeira em madeira maciça com 2 metros de largo para se sentar com um mínimo de conforto e segurança), a bola de pêlo infernal (bola... para mim uma bola é para dar pontapés, o mesmo se aplica aqui neste caso mais pontual) vinha lançada na minha direcção, com o nítido objectivo de me atrocidar uma perna ou duas (quem sabe três). Valeu-me um dos muitos carros que estavam estacionados ali por perto e para o qual subi, safando-me da investida. Temi pela minha vida, confesso que vi a Morte a cruzar-se à frente da minha vista.

segunda-feira, maio 23, 2005

Facciosismos Hodiernos

Vou fazer um breve relato a algo que já era para ter escrito há mais tempo. Um breve relato e uma pequeníssima critica a uma impostura de uma marca de produtos desportivos, chamemos-lhe "naique". Falo da comercialização (envolve lucro) de umas pulseirinhas anti-racismo quando são eles, a "naique", os maiores racistas. Inúmeras fábricas em países de mão de obra ultra barata (numa certa forma de escravatura moderna, não só pelos parcos ordenados mas também pela tratamento sub-humano dado aos trabalhadores) que "dão trabalho" a muitas crianças.

A amnésia selectiva é traiçoeira a este ponto, há uns anos atrás toda a gente fez um boicote aos produtos "naique" com "made in indonesia", embora o boicote fosse mais na palavra porque os produtos continuaram a ser vendidos, mesmo assim mudou-se para "made in taiwan" ou "made in china" e já ninguém se preocupava apesar do problema continuar precisamente o mesmo mas com outro nome. Tal como aconteceu com os produtos americanos no inicio da invasão ao Iraque, à tarde estava tudo no "máque dónaldes" a comer "burguéres" e a falar da guerra como que fala de futebol, apesar de na guerra morrerem pessoas e a liberdade (e tudo o que ela engloba) ser violada.

Mas não é só pelo referido anteriormente que considero a "naique" uma marca extremamente racista, quem são os grandes adoradores da "naique" e para quem é dirigido grande parte dos seus produtos? Exacto... os "pretos" (que inclui, como é óbvio, quem se faz passar por eles).
Raras foram as vezes que não vi o símbolo da "naique" descolorado numa qualquer carapinha enquanto esperava p'lo autocarro no Campo Grande. Não obstante da última que vi, nas imediações do CC Colombo, ter um puma dourado.

A pulseira só tem o branco e o preto... e então o amarelo, o laranja, o vermelho, etc.? São raças desprezáveis? Ou porque a "émetivi" só passa "sons" (e não música portanto) de propaganda anti-caucasiana e pro-nharro? Se fosse o vice-versa era racismo... claro!

É um dado curioso, a palavra "racismo", como já foi muitas vezes dito não só por mim mas por muita mais gente, significa, sempre, caucasiano que dá mostras de hostilidade face a um grupo social ou étnico e jamais o contrário, quando é o contrário que ocorre com uma frequência infinitamente superior. É de notar que quem usa estas pulseirinhas, fá-lo por uma questão de estar na moda, por uma questão simplesmente estética e não pela causa que supostamente representam e pela qual estão à venda. Quando o Papa João Paulo II morreu, criaram-se legiões de fãs que nunca ligaram ao Sumo Pontífice, gentes que dançam com o pecado, subitamente ficam sensibilizadas com o desaparecimento do chefe da Igreja Católica. Todos se querem mostrar, mostrar que estão com a "causa". Venderam-se objectos profanos com a sua imagem, desde camisolas até isqueiros.
A "naique" vende pulseiras "anti-racismo" e toda a gente quer ser "anti-racista", "anti-xenófoba" e "anti-semita", contradizendo-se a si mesmo e dando lições de falsa moral, moral de ocasião. Com a "émetivi" a ajudar, qualquer dia temos grupos de brancos com ódio a brancos e a quererem ser sodomizados por turras. Isto é à lá Amélia vai com as outras: "os jogadores da bola também têm e é fixe!"

Para quê estas formalidades quando o conteúdo é vazio? Se querem mesmo ajudar, se é essa a verdadeira intensão, há bastantes instituições credíveis para aplicar e distribuir fundos. Gastar dinheiro para "combater" o racismo quando há fome e doença, parece-me a mim, que não sei o que digo como já me foi dito tanta vez, um problema de prioridade reduzida e insignificante.

"Um euro dá para alimentar uma família em África durante dois dias, faz como eu, compra uma pulseira anti-racismo da "naique" e deixa os pretos morrerem à fome."


Toda a gente associa o nacional-socialismo às atrocidades de Hitler, mas porque raio ninguém faz o mesmo com os dirigentes políticos da ex-URSS, China e Coreia do Sul e não associa os campos de concentração, que também os tinham e em maior número (e pelo que sabemos não eram mais meigos que os outros, onde muitas pessoas eram fuziladas e obrigadas a trabalhar até à morte), ao comunismo? Ninguém fala nestes crimes contra a Humanidade? Os Nazis fizeram o que fizeram para proteger o seu povo e tentar dar-lhe um melhor mundo, os Comunistas até os da própria ideologia perseguiam. Depois, esta mesma gentinha vê o XXX: Estado Radical, Constantine, etc., vê o Downfall e, cheia de argumentos e razão assente em pilares de conhecimento em História (claro), solta comentários impensados pela boca fora. Com estas minhas palavras é claro que não estou a apoiar o Hitler (como certamente já me iriam "acusar", porque há sempre gente "responsável" e "crescida" disponível para acusar os outros).


Depois de ler variadas notícias das intenções de 90% dos emigrantes que para cá vêm (mendigar, roubar, prostituir, traficar etc.), não me custa nada dizer, sabendo que já com os de cá temos extremas dificuldades e escassez de recursos para os controlar, "não quero cá disto!"

Se vêem para cá para começar uma nova vida, terem uma nova oportunidade, baseada e fortemente inspirada na seriedade, na honestidade e na vontade de trabalhar e recomeçar, não descubro qualquer tipo de problema, até apoio e vejo com bons olhos a sua vinda, desde que o número seja devidamente controlado para garantir condições de vida para todos e porque tudo o que é concentração em excesso torna-se poluição, há que saber encontrar o equilíbrio.


Para terminar o meu post e para demonstrar, ainda mais uma vez (nunca é de mais repetir estas coisas), que não sou racista, aqui vai um pequeno classificado e pedido de um jovem de origem africana:

"Mê nome é Bilau Mamila, i fói numa tardi di calõ qui ti cónheci.Para meus olho tu num eras más qui uma péquena códernis julgando sér pavão. Fómu pá retreti do tasco de ti Jaco e tu mi dissesti bonitas palavra di amô: "Ui... que dotadissímo!" Quéru ti di vorta!"

Ignorar, rejeitando cruelmente este apelo do coração, é grave! Isto sim, seria um acto do mais puro dos racismos! E nós não queremos cá racismo, pois não?

sexta-feira, abril 08, 2005

A Nova Era Eclesiástica

Este semestre prima pela quantidade de testes que tenho às várias cadeiras, o último foi a Termodinâmica. Mas pergunto-me, como é possível estudar se não me saem da cabeça perturbantes preocupações, tais como:

- Saber que o furador de papel de casa está descentrado. É verdade, mas já resolvi o problema de forma prática embora ligeiramente demorada (o que por si revela uma certa contradição). Optei por calibrar o artefacto recorrendo a projecções de sombras e medições com moedas para achar o centro. Depois de ter estado entretido durante bons tempos acabei por pegar na régua e fazer o que devia estar feito.

- Estar constantemente a recordar-me dos 10 cêntimos (que ainda são 20 paus em moeda antiga) que a mula que vende senhas na cantina (não confundir com as simpáticas senhoras que também lá vendem senhas) me roubou. Não tanto pelos 10 cêntimos (vocês imaginam o que dava para comprar com 20 paus antigamente?) mas mais pelas desculpas dadas para não me devolver o que me foi retirado de forma imprópria e fraudulenta.
Não ter troco num dia é uma coisa mas, no dia seguinte, responder-me sempre com um sorrisinho "viesses cá ontem, agora já 'tá feita a caixa e se tirar agora 10 cêntimos logo fica a faltar dinheiro", pois mas entretanto os vários 10 cêntimos colhidos abusivamente no dia anterior já não fizeram diferença. Enquanto não lhe der prejuízo equivalente aos meus 10 cêntimos, embora com a crise em que se vive actualmente, as coisas tendem a desvalorizar selvaticamente, jamais a minha alma encontrará descanço e conseguirá habitar consigo própria sem ser em plena inquietação.


O teste de Termodinâmica era constituído por dois problemas. O primeiro foi um dos poucos tipos de exercícios que não tinha tentado, por escassez de tempo, resolver. Para análise tinham um êmbolo cilíndrico contendo um gás perfeito diatómico e um pistão, ambos com as suas características ou dadas ou por calcular. O outro era um problema dado nas aulas práticas mas que nem os próprios professores, especializados no assunto, tinham chegado a um consenso sobre a sua correcta resolução e inerente conclusão.

Acontece que o primeiro problema, visto não ter recebido relevante importância nas aulas, era um bom problema para quem está habituado (ou familiarizado) a exercícios que envolvam pistons a empurrar-lhes os gases ou, no caso pontual da "ex-colega do 3310", quem o tinha feito momentos antes da prova. Colega que, de forma altamente corajosa e envolta em enorme bravura, passou aos amigos a resolução do dito em pleno calor da batalha (e com o inimigo ali tão perto da nossa retaguarda).
Valentia que se revelou magnânima ao ter desejado que saisse aquele problema pois assim poderia ajudar os seus camaradas, ao invés de ter essa fantasia como uma sentença pressagiando a desgraça alheia, ambicionando ser a única sobrevivente para puder regozijar-se, num contínuo orgasmo mental, saboreando as atrocidades que infortunavam os demais (algo que só é possível de pensar aos pungentes e déspotas).


Termino este mísero post com um breve comunicado.

COMUNICADO

Após alguma reflexão e ponderação, e sem qualquer influência, quer por parte externa quer por parte da comunidade, dou por findada a época de caça à paulada ao esquilo (embora hoje pudesse ter aberto uma excepção e ter dado uma cajadada, à maneira antiga, com uma cana de bambu no lombo, para ver se retirava alguma inquietude que atormentava a criatura). Confesso que já me escasseavam ideias para esta prática desportiva, até porque não havia assim tanto para ser gozado. Em "alguns" casos vi-me forçado a amplificar um "bocado" o âmago da matéria em questão, para que a sua compreensão se tornasse acessível. Nesta altura do texto, alguns leitores mais astutos e sagazes, já se estarão a aperceber que irei mudar os rituais e alterar a matéria para exorcismar para outra cujo potencial de gozabilidade se encontra no limiar do infinito.

Não poupo elogios àqueles que, com um rasgado sorriso de sabedoria na cara, conjecturaram que dei por iniciada a época de caça, por apedrejamento (tal como se faz às mulheres árabes que cometem o adultério e com a mesma fé e boa vontade com que se perseguem pagãos), ao aeróstato inventado pelo padre Bartolomeu de Gusmão.


Qualquer comentário referente ao comunicado, que eu considere imprópio, será prontamente retirado ou alterado.

segunda-feira, março 28, 2005

Demagogia Irracional

Há vários motivos para que o meu último post não tenha sido bem aceite pelas hordas: ou são muito exigentes e não aceitam posts daqueles para "encher chouriços" e cumprir calendário, ou fartaram-se de mim ou então, a justificação que me parece mais plausível, anda tudo a comer produtos com "bifidus activus" e gostam. Os iogurtes até se comem bem... mas não quero voltar a discutir as suas supostas propriedades curandeiras porque senão caem-me todos em cima (salvo seja).

Com isto tudo perdi muita vontade de escrever o que quer que seja, ganhei medo. Ganhei medo porque as únicas ideias que tenho estão relacionadas com os últimos acontecimentos na Amadora. Acabaria por escrever aqui, muito do que penso sobre certa gente e seria acusado de certas coisas infudamentadas. E discutir algumas ideias que, por certas vezes, coincidem com alguns pontos de poucas doutrinas políticas, que por si tendem a preservar a integridade da Nação, algo que é nosso, para depois ser críticado sem qualquer alicerce de senso... ("Este jogador joga no Benfica então não presta!" Mas se o mesmo jogador jogar na selecção, sem olhar que equipa representa quando joga no campeonato, e fizer um bom jogo, "é um excelente jogador, tem uma óptima visão de jogo!". Às vezes é importante não dizer a que equipa se dá crédito).

Há que decidir de que lado se está sem ligar a nomes envoltos em preconceitos: se do lado do malandro do polícia que alvejou o coitado que só fazia uns Unos para andar nos rallies com os amigos e que, por acaso, naquele dia também levou sem querer o dinheiro em caixa de uma farmácia, se do lado do pobre moço de Cabo Verde (enorme coincidência estar evadido do Vale de Judeus onde cumpria pena por homicídio, roubo e tráfico de droga. Tudo coisas que os jornais fascistas inventam) que, distraidamente e sem qualquer má intensão, disparou 22 tiros, com uma arma de guerra, sobre o corpo de um polícia intrometido, que, digasse a bom da verdade, certamente era racista.
Um opinião não pode mudar consoante as notícias do telejornal: se dá uma notícia em que os bandidos fazem mal, revoltam-se contra eles; se logo a seguir mostram uma manisfestação de emigrantes que estão ilegais e que querem a "papelada" toda, dizem que se mandassem "nisto" esta gente tinha tudo em ordem - "é gente que quer trabalhar e não são como os calões dos portugueses".

Por isso, e mudando radicalmente de assunto (diria mesmo, dando uma volta de 360 graus), vou descrever um poucos os brasileiros que imundam em vagas e que submergem o litoral deste país, que em tempos também ele os colonizou.

Quem não anda só de carro e não entra e sai num condomínio fechado já deve ter notado, por certo, que existem pontos do país que estão repletos de gente do Brasil (aqui abro um pequeno à parte, nem todo o brasileiro é da mesma jaez: uns não querem vir para cá, outros vêm ou querem vir e não podem (estes últimos também não muito apreciados no seu país de origem)). Esses pontos de concentração excessiva (embora para mim, a partir de 1 já é excessivo mas, para este caso, digamos que são bastantes, ou seja, propoções que chegam aos 25 para 1 português) coincidem com pontos geográficos com particularidades interessantes e, que de certa forma, lhes lembrem a sua terra natal (aqui estou a mentir, porque a terra deles é lá no meio do mato, mas para facilitar a conversa temos que arranjar algumas desculpas falaciosos). Claro que me refiro a zonas de praia tais como a Ericeira, a linha Cascais/Estoril, a Costa da Caparica entre muitas outras (estes são os confirmados por mim e por mais uns amigos que de certo já abanaram a cabeça de forma afirmativa).

Claro que nesta altura já há quem diga "eh pah não digas isso porque vêm para cá brasileiras muita boas" mas, como diria o meu amigo Marcos, o Nazareno, (nome fictício e sem querer levantar ciúmes a certos pardais com a mania que são pavões (conjectura completamente arquitectada por um devaneio delirante que me deu, embora haja sempre quem se acuse nestes casos)) e utilizando aqui na integra as suas palavras - Toma lá cuidado que isso é gado bravo. Geralmente são vistas com a cara encoberta em reportagens sobre acções da PJ em Bragança, ou em "reportagens especiais" da TVI no mesmo local, semanas antes. Claro que isto vai gerar muita discussão com gente que vê muitas telenovelas (ia perder muito tempo a explicar que essas brasileiras têm nomes holandeses ou italianos e que não querem vir para cá) e que quando vai ao Conde Redondo fica empolgadíssima de ver tanta "gaja boa" e "mu'herão de perna rija".

É que depois, para além do já referenciado muito vagamente no início (aquilo dos três polícias baleados mortalmente nesses cóis... ou não cheguei a dizer?), acontecem cenas como esta: estava eu e mais o sôr Lampreia (este talvez seja o único nome totalmente ilusório em todo o blog e só a pessoa em causa saberá quem é) na Praia do Alvor quando fomos importunados por uma sombra. "Hey cara, vai umá peladjinha nóis trêiz?". Foi criado assim o mito do "Jerrrsón" (tirar fluxão das mucosas quando se pronunciar o "r"). Jerson dos Santos Salvador Jesus de seu nome, ou qualquer outra combinação de nomes, em que o primeiro é bizarro e os outros de uma espantosa religiosidade extrema, embora grande parte desta gente sejam grandes pecadores. Lá estava ele, de bermudas às riscas amarelas e pretas que cobriam metade das canelas, com um fio d'ouro e com um crucifixo ao petio com a imagem dO "JC", andar com estilismo que lhe conferia um movimento, semelhante ao de um peru, ao pescoço, e com aquela cabeça de "Jerrrson" (é um paradígma com alguma reciprocidade). Ainda a lutar contra a moleza característica de quem está de férias, com ar de quem acabou de acordar de forma não natural, de quem ainda tenta entrar na realidade que se lhe apresenta e enquanto se tentava discernir a silhueta que ocultava o Sol de forma provocadoramente descontraída, respondeu-se - "Pah... nós é mê'mo só raquetes" (a 25 metros de distância um do outro e atirando a bola com a maior das nossas forças (diga-se que três toques seguidos, a contar com o de serviço, era um resultado bastante positivo e estimulante), já que "temos" que jogar (dois rapazes numa praia a "brincar" com raquetes é algo que não constroi a personalidade de um macho), que seja à homem. Também jogámos à bola (todos contra todos, ou seja, eu contra ele) à C+S de Paço d'Arcos com muita regra de duração flutuante, geralmente a favor de quem as recitava ("agora os golos só valem se forem marcados por detrás da baliza senão é autogolo, não sabias? Mas eu já tinha dito..." logo a seguir a termos sofrido um golo, "agora quando se tira a bola tem que se ir a correr ao meio campo" depois de ter ficado sem a bola e apontando ao equivalente ao meio campo de um campo de futebol de 11, para mero exemplo)) enquanto tentávamos encobrir o "Wiiilson" (o "son" é a para ser dito com uma velocidade superior em relação à outra sílaba, embora ambas sejam ditas muito depressa e em voz esganiçada) por entre as poucas toalhas (tenho que arranjar maneira de não escrever mais de metade do blog entre parêntesis, isto assim distrai e quebra o raciocínio do leitor). Outros quaisquer teriam cedido logo à interrogação imperativa do invasor. Noutras ocasiões em tempos seguintes, enquanto estávamos a fazer a ronda na praia (sempre de forma divertida (jamais alegre!) e diferente do normal... corríamos em passo acelerado e quando estávamos cansados iniciávamos um sprint como se fosse pela própria vida até à completa exastão e só aí mergulhávamos, num último suspiro, dentro de água. Para além de, por várias vezes, me ter faltado o oxigénio à cabeça aquando dentro de água e de, à noite, nos ajudar a adormecer muito depressa, estas atitudes provaram, mais uma vez, que a nossa sanidade mental, minha e a dos meus grandes amigos, não está de todo calibrada devidamente), visto várias vezes a chatear outros banhistas... haviam de ver o ar de frete com que aquelas pobres criaturas passavam a bola ao Jerrrrsón, para este dar mais uns toques e mostrar que é "craque" e que no Brasil "éki si jóg'à ból-há".

E se a medonha criatura se cruzava com o o sotôr Mario Soares, frequentador de uma praia vizinha, como seria? Também a notável figura nacional tinha que dar uns toques na bola para saciar o ignorante indivíduo e evitar acusações xenófobas e racistas e provocar um compremetedor desentendimento internacional?

Pronto... com sorte talvez o nunca faccioso SOSracismo mande cancelar a minha página pelos seus conteúdos gritantemente ofensivos a uma minoria étnica desfavorecida.
Ainda não falei dos romenos?

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Extremus Faex

Tal como tinha lido no horóscopo da Maya que vinha na revista Vidas, que veio com o Correio da Manhã de Sábado e cuja capa era o Cristiano Ronaldo em tronco nú (assim de rajada uma quantidade de coisas de relevante valor cultural), esta semana não ia ser boa... não o digo pelos textos, que com a sua vastidão me deixaram sem saber que catástrofes aguardar ("gaste todas as suas energias para superar restrições e evite excessos para não se cansar"), mas sim analisando os smilies atribuidos a cada um dos dias (apenas a Sexta-feira me é favorável). Ainda por cima para além de recomeçar as aulas e, como se não fosse suficientemente mau, ainda as começo com início de constipação. Para dar as boas vindas ao novo semestre fui almoçar à cantina com mais uns colegas. Como é sabido, no início das aulas andamos todos meio aparvalhados, mas uns superam os outros (neste caso em concreto, em vez de aparvalhado (que também o é), é mais apassarinhado)... foi descoberto um local que fica entre a estação de metro do Campo Grande e o fim do Jardim do Campo Grande, que se chama Churrasqueira do Campo Grande e que no entanto não fica no Campo Grande porque, seguindo a justificação do mesmo, "[palavrão acabado em "sss" e a começar em "f", com "oda-" no meio] o Campo Grande é grande!". Não tenho mais nada a dizer sobre isto.

Já várias foram as vezes que leitores interessados me perguntaram para quando um novo texto. Apesar de ter estado de férias, ainda estou meio aturdido pelo último semestre e como não tenho andado muito acompanhado, tudo o que me passa pela cabeça está estritamente relacionado com o tema principal deste post. O mal todo é que nem tenho capacidade crítica para ajuizar o que lá vem.

Após esta pesada introdução tornou-se óbvio que me preparo para fazer uma profunda análise a uma vasta gama de produtos "alimentares" que permitem, desculpem a expressão frequentemente utilizada pelo povo, "cagar macio" e a "tempo e horas".
Falo dessa vasta qualidade diferente de alimentos (apesar de serem todos a mesma "porcaria") que vão desde cereais e barras de cereais (tão insipidos e secos que de certo estão relacionadas com a seca que se tem sentido ultimamente e envolvidos directamente em muitas amarguras do povo português), iogurtes nas suas variadas formas (os líquidos vêm em recepientes tão pequenos que são necessários 4 para enganar a sede, deve essencialmente dever-se ao facto de serem uma matéria mais rara e cara que o petróleo, sim... com o preço de uma "garrafa para pigmeus" da dita substância posso comprar quase um litro de gasolina) até chocolates (geralmente o anúncio mostra um grupo de amigas, que transparecem ser mulheres modernas e evoluídas, e, no meio de uma alegre confraternização, há uma que se recusa a comer um bombon agarrando nas inxundías como quem diz "que está gorda", depois de uma breve explicação com meia dúzia de termos semi-técnicos (que nem o director da fábrica dos chocolates sabe o que são) por parte das amigas, já se lambuza nos chocolates, apenas faltando ficar com o aspecto de um puto a que foi oferecida uma tabelete numa tarde solarenga de Verão) todos eles têm uma coisa em comum, para além do hipotético efeito, apenas resulta se administrados com regularidade em enormes quantidades, ou seja, basicamente todos os dias até que aconteça um dos seguintes: saia nova versão no mercado que substitua a anterior, estudo independente (por empresa que se desmente rapidamente e reconhece que afinal aquilo até faz bem ou então fecha misteriosamente) que prova cientificamente que tudo não passa de uma farsa capitalista ou que os produtos têm consequências nefastas para a saúde humana ou, por fim, o consumidor encontre a morte na sua breve passagem pela vida.
Entre estes encontra-se o já mítico, por várias razões, All-Bran com o seu momento All-Bran que devia vir no dicionário como "momento da defecação". Se após esta comparação retirarmos a ambas as frases a palavra "momento" (tal como se faz numa equivalência matemática) ficamos com "All-Bran = ...". Está bem que vi num documentário que, durante as migrações originadas por grandes secas, os elefantes comiam escrementos dos vários elementos da manada para contornar a quase ausência de alimento e manter os intestinos a funcionar, mas fracamente, seria necessário copiar a Natureza em casos tão extremos?

Estes produtos não só "regularizam" a denominada "flora intestinal" como também têm os seus extras, para além das suas multi-vitaminadas composições, garantem ainda uma % ridícula de gordura como também oferecem uma quantidade massiva de fibras e (o tal composto que ninguém sabe o que é) "L.casei Imunitass"

Agora pergunto, com tão pouca gordura como é que o organismo lubrifica as variadas veias e artérias que constituem o sistema circulatório? Os glóbulos vermelhos carregados de abrasivo oxigénio irão desgastar, por acção do atrito, rapidamente as paredes de tão importantes canais... e com este frio é importante untar o sistema circulatório como forma de anti-congelante. Isto cá dentro é uma máquina muito complexa e convém ter este tipo de cuidados, tal como se tem num carro.

Muito mais ficou por dizer... mas quero ir para a cama e como muito texto é sinal que menos gente irá ler isto, vou ficar por aqui.

Estive para comentar o regresso dos detergentes com "sabão natural" no seu nome mas não é um campo que domine. Embora admita que acho extraordinariamente curiosa a evolução cíclica dos detergentes: do sabão natural passou-se para os outros porque o sabão não presta porque não tem "glutões que comem os detritos deixados pela comida", agora volta-se ao aparecem os detergentes baseados no "sabão natural" porque lavam tão bem como antigamente. Mas eles já se enganam a si próprios?
Também me senti tentado a falar nos champô multivitaminas, com tantos ingredientes, cujos termos técnicos não me recordo, e frescura que dá vontade de beber/comer aquilo (o mesmo me acontece ao ver certos anúncios de comida para cão ou gato. Confesso que me lambo todo e me cria um certo apetite. Acabo por vir da cozinha desconsulado por não encontrar nada que substitua ou satisfaça aquele desejo... nem mesmo paté de sardinha).
Há uns bons anos atrás, eu e o meu grande amigo "sôr Lampreia", idealizámos um champó Kinder -"agora com mais leite e menos cacau", tudo envolto num anúncio cheio de crianças loiras e felizes a brincar alegremente nos vastos pastos Austríacos. Nunca fomos com a ideia por diante.